​Dinastia Rosado vive ocaso sem ameaça iminente

​Dinastia Rosado vive ocaso sem ameaça iminente

Por Bruno Barreto, jornalista
Muito se previu sobre como seria o fim de uma das mais tradicionais oligarquias do Rio Grande do Norte: a família Rosado. Após um processo político-jurídico pós-eleições 2012, o grupo que estava no auge, iniciou um processo de declínio.

Primeiro, perdeu a Prefeitura de Mossoró. Depois ficou sem mandatos na Assembleia Legislativa e apenas uma vaga de deputado federal conquistada a duras penas.
Pouco para um grupo que há dez anos era em Mossoró governo (rosabismo no comando via Fafá Rosado), oposição (grupo de Sandra) e alternativa (Marcelo Rosado) como imortalizou o grande jornalista Nilo Santos.
Em 2012, os Rosados tinham o comando do Governo do Estado com Rosalba Ciarlini, duas cadeiras na Câmara dos Deputados (Sandra e Betinho) e mais duas na Assembleia Legislativa (Larissa Rosado e Leonardo Nogueira, esposo da então prefeita Fafá Rosado). Nunca a família deteve tanto poder em mãos.
A partir de então houve uma batalha jurídica fratricida para tirar a nova prefeita, Cláudia Regina, que chegou ao poder mesmo sem o sobrenome Rosado ou ligação familiar direta ou indireta, mas estava lá graças a força da ala rosalbista da família.
Essa disputa é a prova cabal de que a divisão política ocorrida há 32 anos (explico isso detalhadamente na minha dissertação de mestrado que em breve se tornará livro) não foi algo combinado. O processo de autodestruição da oligarquia se deu porque um grupo se sobrepôs ao outro evitando um revezamento entre as duas alas majoritárias no comando do Palácio da Resistência. 
O Rosalbismo venceu sete das seis eleições em que enfrentou o sandrismo que só chegou ao poder no último suspiro político de Dix-huit Rosado.
A batalha jurídica findou ceifando o mandato de Cláudia Regina que segue sem poder disputar eleições até 7 de outubro de 2020. Ela ainda tem fôlego político, diga-se.
Mas o efeito imediato dessa briga foi um sandrismo esfacelado e um rosalbismo sem nomes para o pleito suplementar de maio de 2014. O mandato caiu no colo de Francisco José Junior que de detentor da maior votação da história das disputas municipais em Mossoró caiu em desgraça virando o prefeito mais impopular da história.

No pleito de 2016, o sandrismo estava em frangalhos e sem condições de lançar Larissa Rosado ao crivo das urnas pela quinta vez. Aderiu ao rosalbismo como um vassalo ao suserano na Idade Média. 
Rosalba voltou a ser prefeita de Mossoró sem grandes dificuldades graças ao fato do eleitor ter conseguido separar a pior governadora da pior prefeita, num rasgo de generosidade política.
Larissa deixou a condição de suplente e voltou a Assembleia Legislativa graças a um rearranjo político que envolveu a colocação de Álvaro Dias como vice de Carlos Eduardo na capital.
Hoje, com as duas principais alas da família unificadas, os Rosados estão numa configuração semelhante à primeira metade dos anos 1980, antes da divisão política: a principal liderança do grupo está na Prefeitura (Rosalba = Dix-huit), há um mandato de federal (Vingt = Beto Rosado) e um na Assembleia Legislativa (Carlos Augusto = Larissa).
Como naquela época não há um nome capaz de fazer frente ao grupo. A diferença é que há 30 anos a dinastia detinha hegemonia tanto que seus maiores adversários na época (Os Maias – na minha dissertação que vai virar livro explico isso em detalhes) precisaram pinçar o chamado “elo fraco” (Carlos Augusto) da oligarquia. Hoje é muito mais por enfraquecimento político.
O grupo está com menos espaços por um processo de autodestruição que terá novos capítulos no próximo ano quando o sandrismo finalmente perceber que não terá o apoio palaciano esperado para retomar os espaços do passado.
SEM AMEAÇA REAL
Na outra ponta, como há 30 anos, não temos uma liderança capaz de enfrentar os Rosados mesmo eles vivendo o pior momento.
O PT vive num oito e não consegue forjar uma liderança. Prova disso é que a maior votação de um candidato de esquerda pertence a Gutemberg Dias, do PC do B. Ele é um quadro a ser trabalhado no longo prazo.
Em curto prazo esse nome deveria ser Tião Couto. Ele precisa ter a ciência de entender que os 51.990 votos conquistados ano passado ainda não fazem dele o líder do grupo que se opõe aos Rosados. Há muita coisa em envolvida e ele ainda não é uma liderança consolidada. 
Bom para os Rosados.
Tião sonha com voos altos como disputar o governo, mas não pode fazer sem ao menos garantir ao grupo um mandato parlamentar. Política se faz ocupando espaços e, quem sabe, tirando espaços dos adversários.
Se Tião não souber trabalhar essa ocupação de espaços na Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa deixará os Rosados fora da UTI política por pelo menos mais quatro anos com direito a alta eleitoral em 2020 caso Rosalba seja reeleita com facilidade.
No cenário atual os Rosados vivem o ocaso político sem ameaças concretas e podem emergir do próprio declínio recuperando a força hegemônica do passado.
Tudo dependerá dos próximos passos deles e de quem se propõe a ser ameaça.

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