A arregimentação identitária e a falta de interesse pelo executivo de Natal

O cientista político Mark Lilla demonstrou, com bons argumentos, que candidaturas majoritárias centradas em pautas identitárias não ganham eleições. Elas são sobrepujadas por agendas voltadas para questões mais gerais, tais como emprego, família, segurança ou pátria (uma identidade mais englobante). Insuspeito intelectual da esquerda, o cenário de análise dele é o da derrota do partido democrata americano para o Trump.

Vencer eleições é fundamental, inclusive para por em prática a proteção de minorias, diz ele.

Aqui no RN fico com a impressão de que a arregimentação de quadros, principalmente pela via dos movimentos identitários, têm retirado a preocupação desse polo com relação aos problemas mais gerais da cidade. Os jovens aspirantes não debatem serviços públicos, planejamento ou o desenvolvimento de Natal. E, se fazem, desenvolvem o argumento pela via do grupo ao qual estão culturalmente filiados. E o que é mais problemático: perderam a gana de lutar pela prefeitura.

Talvez a última candidatura, com boa articulação e intenção de fato voltada para levar a prefeitura (ao invés de fazer recall pra ser vereador ou deputado depois), foram as de Fátima Bezerra em 1996 e 2008.

PS. Vilma e Carlos Eduardo levaram em Natal. Porém, seriam de esquerda? A classificação rende debate.

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