A candidatura de Fátima será abatida pelo revés sofrido por Lula?

Só o tempo dirá. Infelizmente, este modesto blogueiro não tem bola de cristal. Porém, é possível tecer algumas linhas um tanto quanto especulativas.

Primeiro, me chamou bastante atenção o fato de, conforme levantamento da FGV, Lula ter ganhado o debate nas redes sociais no momento em que era condenado pelo Tribunal Regional Federal. Vale ressaltar que as redes sociais são majoritariamente ocupadas por quem ganha acima de dois salários mínimos, um eleitor em que Lula já não é tão forte. Sua base principal está entre aqueles que recebem entre 0 e 2 salários. O que torna o dado da FGV ainda mais significativo. Isto sinaliza que, ao menos por enquanto, ele consegue manter seu capital político.

Há uma percepção de injustiça do eleitor de Lula alicerçada em dois aspectos: 1. a velocidade com que andou seu processo passou a impressão de que a justiça corria para tirá lo da campanha; 2. a manutenção do mandato de Aécio e a prescrição da investigação contra Serra, para ficar apenas nesses exemplos, embalam o discurso de que a justiça atua de forma seletiva.

O cenário político em que o presidente Michel Temer se encontra mal avaliado também infla o nome de Lula.

Diante de tal situação, é preciso saber se Lula aguentará os outros processos que virão e de que modo o PT e, consequentemente, a senadora Fátima Bezerra serão atingidos.

Mais alguns pontos: a força no RN de Lula, primeiro colocado nas pesquisas, ajuda Fátima Bezerra, além da crise local. Porém, ela já mostrou que tem vôo relativamente próprio. Conceber até que ponto vai essa autonomia será fundamental para imaginar suas chances eleitorais.

Sua estratégia tem sido de apostar todas as fichas na nacionalização do pleito estadual no RN. Isto pode representar futuramente um problema, diante da conjuntura que se avizinha, porque além do nacional trazer o impasse (ou a solução, não se sabe ainda como disse acima) Lula, uma hora o avião terá de descer no RN e se confrontar com questões locais.

No plano de Fátima é imprescindível defender Lula e o partido com o qual ela está umbilicalmente atrelada. Só que o que hoje representa sua força, amanhã poderá esgotá la. Ou não.

O post ficou meio confuso, não é? Mas é que o contexto não está muito fácil de antever.

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