A falácia antiesquerda do centro moderado

A FALÁCIA ANTIESQUERDA DO CENTRO MODERADO

Há quem argumente em defesa de um centro moderado contra o radicalismo petista e bolsonarista. Além de colocar dois grupos políticos distintos no mesmo patamar, é um discurso que interessa, do ponto de vista prático, ao próprio bolsonarismo.

Teremos, na tal narrativa, o radicalismo bolsonarista hoje com máquina e orçamento. Ainda assim, o discurso do radicalismo confunde esse grupo com a ideia de “antissistema”, o que traz o benefício do vanguardismo puro e mandancista e é simplesmente falso. Não existe antissistemismo com o posto de presidente da república.

Do outro lado, há o radicalismo petista só que sem máquina. Nesta condição, além da incapacidade de nomear e carrear orçamento, a crítica de oposição petista, partido líder inconteste da esquerda no país, é logo descaracterizada como “extremista”, lhe tirando a possibilidade discursiva de retorno ao poder.

Por fim, há o tal centro moderado. Trata-se de uma aglutinação de apoiadores de um impeachment tabajara, nada comportadas teses de tiro policial para matar e gente que, pondera de um lado, ocupa espaços e vota com Bolsonaro do outro.

As lideranças dotadas de fala mansa, mas de ações nada centristas nos últimos anos, se não conseguirem viabilidade eleitoral, irão mais uma vez de Bolsonaro ou pregarão voto nulo. A saída pela tangente costuma beneficiar o grupo político mais forte.

Em suma, a tese da formação do centro moderado, além de partir de sofistas comparações inverossímeis, visa anular a esquerda como possibilidade de poder para 2022.

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