A funkeira e o pastor, dois novos líderes da política

A FUNKEIRA E O PASTOR, DOIS NOVOS LÍDERES DA POLÍTICA

Recentemente, uma universidade americana convidou, num simpósio sobre o Brasil, uma funkeira carioca para palestrar. O ato recebeu algumas críticas de gente tida como bem pensante.

Ora, acredito que, se a pessoa quer entender a mudança nas periferias brasileiras, deve considerar duas figuras de grande relevo: a funkeira e o pastor. São duas lideranças que emergem nessa nova configuração brasileira.

Pelo que vejo das falas e letras dos dois alastrados personagens da cena política brasileira, ambos avançam com letras e uma moral da realização individual em meio ao caos e uma glamourização de si – “você é amado por alguém, você pode, você é especial, você é bonito, você consegue” – no sentido de mola geradora de distinção. Numa ambientação de chamada modernidade desorientadora de sentido, como escreveu Peter Berger, os dois novos personagens trazem narrativas poderosas.

Os especialistas devem ser levados em conta? Óbvio. E, no presente caso, eles também foram convidados. Não defendo aqui populismo de pensamento. Mas ouvir o que essas novas figuras têm a dizer também é legal.

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