A ilusão das candidaturas avulsas

A candidatura avulsa, em que o postulante entra numa eleição sem filiação partidária, é uma verdadeira ilusão. Ela é proibida no país e há um debate encostado no STF com advogados voltados para a liberação da possibilidade. O modesto escriba aqui presente não é contrário ao modelo por princípio. Mas acredita que o que leva alguns eleitores a acharem a modalidade uma saída para o país está assentado em um conjunto de ingenuidades, além das pressuposições distorcidas contra os partidos políticos. Vamos por partes.

Primeiro, a candidatura avulsa não trará mais “liberdade” para o candidato se ele for para eleição sem estrutura partidária. Ele representará interesses e terá de fazer escolhas diante das inúmeras possibilidades de produzir uma gestão de saúde ou da educação. Os partidos se vinculam ideologicamente a formas de administração da sociedade. O candidato fará exatamente o mesmo movimento. Não ficará acima disso. O candidato avulso tomará “parte” como um “partido” nesse processo de escolha entre maneiras de tocar políticas públicas.

Segundo, o candidato avulso não poderá prescindir de uma “estrutura partidária”. Durante a campanha, caso queira ganhar numa eleição democrática e competitiva, acabará por contratar profissionais da área – marqueteiros, coordenadores experientes, jornalistas, etc. E não andará na rua sozinho. Formará uma militância aguerrida. Enfim, terá um grupo ajustado em prol da obtenção da vitória, assim como um partido.

Terceiro, quem é a favor de candidatura avulsa costuma argumentar que os partidos têm dono no país. Ora, isso é em parte verdade, apesar de não ser tão simples assim. Porém, a ideia é contrapor organizações com chefes para formar outras com o mesmo sentido? Não há nada estabelecido contrariando a razoável predição de que candidatos avulsos também não venham criar movimentos em que eles não mandem diretamente.

Por fim, as candidaturas advindas de partidos representam uma vantagem. Como disse acima, partidos têm sim ideologia. E, ora, elas representam uma “economia de informação” para o eleitor. Isto significa dizer que quando votamos num candidato do PT, MDB ou DEM sabemos mais ou menos como ele pensa a atividade política e o que ele pretende representar. Os candidatos avulsos não apresentarão essa clareza de partida.

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