A lava jato, que deveria ser ação policial autônoma de Estado, virou franquia política bolsonarista a ser utilizada contra os adversários

O presidente Jair Bolsonaro alegou, em seu twitter durante o carnaval, que o Brasil gasta muito com educação para ter pouco resultado.

Certo, e qual a proposta para tornar esse investimento supostamente mais eficiente? Ele mesmo deixa claro. Fazer uso de uma operação policial, para investigar o setor de educação no Brasil, universidades, etc. É a tal lava jato da educação.

A lava jato é uma operação que nasceu no âmbito da polícia, do ministério público e da justiça. Daí perguntar: qual o sentido de criar uma operação de cunho policial contra uma área do governo sem crime constituído?

O combate à corrupção sempre é bom e não há quem se contraponha ao ato. Só que não é o caso. O que está posto é a utilização de uma marca de um ente fiscalizador e inibidor práticas ilícitas como política de governo.

Cabe entender. Não temos a polícia achando um indício de crime e investigando livremente. Há um governo que diz o que deve ser averiguado. E numa área em que não tem a simpatia dos inseridos. Coincidência? Por que não, como exemplo comparativo de contraste, uma lava jato dos gastos no âmbito das forças armadas?

Duas serão as consequências da filial lavajateira. Como ação bolsonarista, que luta para manter a polarização em alta, a tal lava jato da educação virará sinônimo de perseguição contra antagonistas do presidente. O governo deixa claro que passará uma linha em favor de si próprio e contra seus oponentes. E, segundo, ao ser cooptada dessa forma, sem nenhuma reprovação de procuradores e juízes twitteiros, qual a isenção que a polícia, o MPF e o judiciário apresentarão à sociedade quando uma ação de estado vira franquia de governo?

Se fosse em outros tempos, o presidente da vez seria acusado de aparelhar as forças policiais e de investigação e usar uma operação para fins políticos.

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