A questão do timming: investigações contra Flávio Bolsonaro podem ter parado durante a eleição de 2018

O problema do vigia é que, numa democracia, ele também precisa ser vigiado. Por mais bem intencionado que venha a ser, o guarda das instituições também têm interesses pessoais e, possivelmente, contrário às vontades públicas. Daí a necessidade de se proteger contra uma crença cega em sua boa fé.

É o que acontece com o Ministério Público. Instituição fundamental para a democracia, ela ganhou notório poder no Brasil, mas o movimento desacompanhado de sistemas de controle.

Um exemplo. Os jornais de hoje dão conta de que de que a investigação contra os prováveis laranjas do filho do presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, praticamente parou no período de agosto até novembro de 2018, justamente o espaço temporal da eleição presidencial.

A última ação do ministério público do Rio de Janeiro data de agosto, quando um relatório do conselho de operações financeiras, o que detectou mais de um milhão na conta de Fabrício Queiroz, motorista de Flávio, foi produzido. Só em 22 de novembro, após o término da eleição, Fabrício foi convocado para depor.

Em agosto, no entanto, Fabrício Queiroz foi exonerado do gabinete na assembleia estadual do Rio de Janeiro de Flávio Bolsonaro. A ação levanta a suspeita de que Flávio obteve conhecimento prévio da investigação.

O timming do MP foi importante para que Jair Bolsonaro não viesse a ser importunado durante o processo eleitoral, com tema que se revelou bastante complicado para sua família.

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