A verdadeira autocrítica do PT deve passar pela indicação de Dilma, Barroso e Fux

Fala-se muito em autocrítica dentro do PT. Trata-se de um discurso pueril. Partido trabalha em busca do poder. Quem ataca é o oponente. Ninguém vai conceder armas para o adversário. E se assim fosse, o PSDB teria de fazer um exame sobre seu apoio ao impeachment. A imprensa majoritariamente apoiadora de Bolsonaro em 2018 também. Foram ações ruins para o país. Mas, repito, a coisa não é por aí.

Porém, partindo da ideia apenas para o mero exercício de divagação, seria importante o PT fazer uma autocrítica sobre a indicação de Dilma Rousseff e de determinados ministros do STF.

Sérgio Moro E Dallagnol normalmente são responsabilizados pelo inferno astral da esquerda. Sim, após a vaza jato, não há dúvida de que eles têm culpa no cartório. Mas o fato é que, com aquele papo de faxina, Dilma criminalizou o governo de seu antecessor e seu criador: Lula. E não foi por falta de aviso. Se tiver com fôlego, caro leitor, acesse a notícia abaixo, que é de 2011. Ela é profética.

Petistas temem que faxina de Dilma carimbe gestão de Lula como corrupta, https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,petistas-temem-que-faxina-de-dilma-carimbe-gestao-de-lula-como-corrupta,760639

Hoje se sabe também que Dilma Rousseff deu total carta banca para que a lava jato avançasse. Ela não agiu quando ficou claro que uma ala petista – a de Lula – seria alcançada e era alvo prioritário de Janot, Dallagnol e cia. Ela tentou interferir apenas quando se viu ameaçada. Enfim, criou todas as condições, talvez sem pleno conhecimento de causa, para a prisão de Lula. O tema é tabu no PT.

A autocrítica também deveria passar pelo modo como o PT indicou ministros para o Supremo. Permeado por um falso republicanismo, como se fosse possível indicar alguém técnico e sem ideologia – nos EUA o partido republicano indica ministros para o supremo tecnicamente preparados, mas ideologicamente alinhados com as teses da agremiação -, alojou ministros defensores da antipolítica no coração do poder. E, ora, como a sigla mais política do país, era evidente que o Partido dos Trabalhadores viraria alvo de um Roberto Barroso e de Luiz Fux.

Hoje, os dois fazem política a partir de cargos que não foram forjados para tanto. Barroso, por exemplo, defende “a interpretação que seja melhor para o país”. E o texto elaborador pelo legislador entra em que momento?

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