“Ainda que autênticas, as conversas entre Moro e procuradores da Lava Jato são normais”

A frase do título consta em um manifesto de apoio ao atual ministro Sérgio Moro assinado por 271 juízes federais. O judiciário e o ministério público gozam de forte corporativismo. Num momento de extrema pressão, o sentimento de autoproteção fala mais alto do que a lei.

Este modesto blogueiro duvida que ao menos um desses 271 tenha a coragem de assinar livro ou artigo acadêmico, chancelando como naturais os diálogos entre o então juiz Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato vazados pelo The Intercept.

Este modesto blogueiro duvida que, de fato, eles acreditem que é normal fazer grupo de telegram com uma das partes do processo, indicar testemunhas, fazer cálculos políticos, conduzir a investigação, elaborar estratégias e desdenhar da defesa.

Este modesto blogueiro tem a certeza de que o caso é um bom exemplo, para que a legislação sobre abuso de autoridade seja votada e para que, no mínimo, o judiciário e o ministério público sejam controlados externamente de forma republicana. Hoje, há um faz de conta propagado pelo Conselho Nacional de Justiça e pelo Conselho Nacional do Ministério Público. São órgãos externos, mas dominados pelos entes internos dos poderes.

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