Alguéns vão sombrar

O título acima está para lá de estranho, mas expressa a avaliação do autor com relação ao grupo a ser possivelmente constituído pelos nomes de Carlos Eduardo Alves para o governo e Garibaldi Alves e José Agripino para o senado. É muito peso para um barco pequeno carregar nas águas sombrias e turvas de 2018. Cabe apontar as razões.
Erra quem pensa ser a saída antes da prefeitura o calcanhar de Aquiles de Cea. Quem fala demais no tema parece temer Carlos Eduardo na disputa. O prefeito de Natal sofrerá porque não é, nem de longe, unânime em Natal. Não terá a muleta que Micarla representou em 2012. E, ao contrário de 2016, vale ressaltar, enfrentará oponentes competitivos sem poder pedalar no orçamento como em 2015/2016. Não haverá mais impressão de normalidade no ar. O que o leva acreditar que passará a ser forte em todo o RN? Consta vaidade no cálculo. É nessa difícil conversão que mora seu problema, além de um vice, Álvaro Dias, com raízes pemedebistas.
Cea se diferencia, por exemplo, de Wilma de Faria em 2002. Ela deixou a prefeitura extremamente bem avaliada e, alí sim, com condições de partir de Natal e Grande Natal para o resto do RN.
A complicação se fortalece com a junção de três “políticos tradicionais”. No caso, não serão suas forças somadas em cima de um palanque, mas seus potenciais de rejeição num momento em que a classe política não está nada bem. Os três ainda terão de deglutir a inacreditável visão negativa que o norteriograndense tem de Michel Temer. A parada para Agripino e Garibaldi, que votaram sempre com Temer em reformas impopulares, é dura. São oito anos para serem explicados. O eleitor não enxergará nessa união uma junção de forças, mas de interesses não explicitados de estranha debulhação num curto período de campanha.
Há um apagão cognitivo em parte da classe política semelhante ao vivenciado em 2014, com fórmulas de contas de apoio de deputados e prefeitos e somas de recursos que não têm mais a mesma eficácia do passado, mas o possível revés de problemas judiciais subsequentes.
Não será de estranhar que dois postulantes da chapa terminem 2018 apenas com o direito de chupar o dedo. Só não teremos os três derrotados porque a classe política do RN é acomodada. Só vai na certeza e superestima o poder eleitoral dos atuais senadores. Já os empresários querem ser apenas ungidos por meia dúzia de palavras bonitas. Uma vaga será conquistada por essa inércia. Mas a maioria terá futuro difícil se continuar na já referida estratégia.

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