Apoios de prefeitos não decidem uma eleição

De eleição em eleição a retórica da quantidade de prefeitos para medir o sucesso de um candidato é renovada. É impressionante. O RN, para ficar apenas por aqui, está repleto de exemplos de que ter mais apoiadores não necessariamente resolve uma disputa. Wilma, Rosalba, Robinson e Fátima ganharam com muito menos gestores municipais dos seus lados.

É importante ter alguém segurando sua bandeira nos municípios. Isto ajuda, sem dúvida. Só que não é determinante. Tal raciocínio se torna ainda mais significativo em um cenário de enfraquecimento das máquinas municipais e surgimento de novos atores políticos – promotores, empresários, grupos estudantis organizados, etc.Além disso, os pleitos estão cada vez mais abertos e competitivos. O eleitor acaba por se comportar de modo bastante distinto do que sonha a vã teoria que prega a existência dos “currais eleitorais”.

Não está dado também que uma liderança irá renunciar aos seus interesses locais ou setoriais, talvez divergentes com aqueles de uma cabeça de chapa, e possivelmente concentrar desgaste, indo para rua com o seu candidato formal. Não é incomum observar desengajamento e até “traições”.

Claro. Ficar alardeando que reuniu uma maior quantidade de prefeitos sempre interessa alguém numa dada campanha. É uma forma de demonstrar força, motivar apoiadores e intimidar oponentes. É a propaganda ao estilo “eu sou um rolo compressor”. Só que há muitos outros componentes de relevo – sentimento de mudança (ou permanência), avaliação de governo, histórico do candidato e políticas que ele defendeu e pretende continuar implementando. E aí cada campanha é uma história.

Para esta eleição, por exemplo, é bom não desconsiderar o efeito que Michel Temer exercerá sobre ela. A reprovação de sua gestão já é o grande vetor de 2018. Ter endossado sua chegada ao poder e sua pauta de reformas são marcas tão negativas que nem dezenas de prefeitos serão capazes de contrabalançar.

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