As fake news vieram para ficar; piorará muito até que melhore

AS FAKE NEWS VIERAM PARA FICAR; PIORARÁ MUITO ATÉ QUE MELHORE

Finca forte o pé no realismo quem demonstra pessimismo reflexivo sobre o alastramento das notícias falsas, das correntes malandras e bem monitoradas em períodos eleitorais e pós-eleitorais.

Nesse sentido, o recado de Lula foi claro. Ele chancelou um modus operandi em sua última entrevista ao canal TVT do Youtube, ao abusar de teorias conspiratórias sobre uma intervenção americana no país e questionar acerca do atentado contra Bolsonaro durante o pleito de 2018. O aviso foi: é chegada a hora da esquerda também fazer uso do recurso que ajudou na vitória de Bolsonaro. E, de fato, quem tem por dever de ofício acompanhar os grupos de whatsapp já se deu conta que as chamadas fake news bolsonaristas começaram a ganhar a companhia de correntes distantes da realidade, mas com viés de esquerda.

É verossímil supor que haverá uma evolução na manipulação e alastramento da mentira até que o movimento sofra algum refluxo. Todos os grupos políticos passarão pelo expediente do mecanismo até que ele entre em desuso por desgaste generalizado. Portanto, ainda não chegamos nem perto do fundo do poço. Vai piorar bastante até que melhore.

Concomitantemente, é fundamental que a imprensa recupere o status perdido e o leitor volte a acreditar em algum texto portador de fonte, autor e periodicidade. E isto também está longe de ocorrer. Não são poucos os que hoje preferem aqueles com letras garrafais, anônimos, pessimamente redigidos, mas que atendem aos seus desejos.

O dado é que a guerra nas redes sociais promove um esvaziamento da crença em qualquer tipo de mídia, digamos assim, tradicional. Qualquer jornal, por mais críticas que possa receber, se tiver alguma preocupação em retratar os acontecimentos, em algum momento baterá de frente com a fé propagada pelo Fla ou pelo Flu. Os periódicos restritos ao ABC ou ao América permanecerão com uma certa força, mas só dialogarão com seus lados. E, nessa condição, não ajudam a estourar suas bolhas. Pelo contrário. A sobrevivência de tais publicações depende da firmeza com que alimentam as teodiceias dos seus seguidores – no sentido de um pastor que serve ao mesmo tempo em que se serve do rebanho.

Não há luz no final do túnel. As invencionices, cuidadosamente construídas para serem propagadas pelo mundo dos algoritmos das redes, vieram para ficar. As fakes news viraram recurso estratégico nas batalhas pela conquista da opinião pública. Ainda que sejam moralmente condenáveis, não está dado que alguém deixará de obter vantagens competitivas só para satisfazer uma postura que, na prática, não lhe permitirá obter posição de poder, inclusive para fazer valer sua verdade.

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