Áudio falso que circula nas redes diz que vacina da gripe não protege contra a doença

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe teve início em 23 de abril – Agência Brasil

Circula no WhatsApp um áudio que alerta sobre mortes causadas pelo vírus “H2N3”, uma variação do influenza A H1N1, que causaria a morte rapidamente de quem fosse infectado. A mensagem informa ainda que a vacina da gripe não oferece proteção contra essa doença e que em Goiás, além de mortes registradas, mais de 70 casos estariam sendo apurados. O áudio costuma ser compartilhado com a informação de que um casal morreu em Rio Claro, no interior de São Paulo, infectado por essa mutação do vírus.

O vírus “H2N3” não existe. Segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde, na verdade, em 2017 a circulação do vírus influenza A H3N2 foi predominante no país. Além disso, o casal que faleceu em Rio Claro, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, foi infectado pelo H1N1. O resultado foi obtido por exames feitos pelo Instituto Adolfo Lutz.

A inexistência da circulação do H2N3 foi confirmada pelo Ministério da Saúde. Os vírus de influenza que atualmente circulam no Brasil são o influenza A/H1N1pdm09, A/H3N2 e influenza B.

Segundo o infectologista Alberto Chebabo, do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, a nomenclatura é uma invenção que apenas faz surgir pânico entre as pessoas.

— O vírus que existe é o H3N2. Certamente esse boato tem alguma relação com o surto de gripe que ocorreu nos Estados Unidos recentemente. Por lá, a vacina, que é modificada anualmente, não previu a mutação do vírus, e várias pessoas acabaram infectadas. Aqui no Brasil, porém, a vacina disponível já contempla a proteção para essa mutação.

Os principais sintomas da gripe H3N2 são febre alta, coriza, dores no corpo e tosse seca. O quadro pode ser agressivo em idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas. A vacinação é uma das principais defesas contra o vírus. A previsão é de que a campanha nacional de vacinação comece na segunda quinzena de abril.

O Globo

 

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