Bagunça institucional como consequência lógica

BAGUNÇA INSTITUCIONAL COMO CONSEQUÊNCIA LÓGICA

A preocupação das agremiações partidárias é mais do que legítima. Bolsonaro, ao empoderar os militares no poder e defender abertamente o fim da negociação com os partidos em prol da governabilidade, vai colocá los como fortes postulantes em 2020. Os militares utilizarão da vitrine governamental, dos recursos fiscais e administrativos, para crescerem eleitoralmente. Nada leva a supor o inverso.

Já ocorreu o incremento de eleitos advindos do exército em 2018. Talvez uma criança, ainda refém da bela ingenuidade de seus primeiros anos, acredite que os militares não agirão como um “partido”, só que sem voto, para ocuparem postos políticos nas próximas eleições. E aí o resultado será deletério. É papel de partidos e não de militares representar interesses numa eleição. A bagunça institucional vira consequência lógica.

Não faz o menor sentido condenar a relação do executivo com os partidos, que tiveram congressistas eleitos da mesma forma legítima como o presidente, alegando ser uma interação espúria; e passar pano para esse heterodoxo alinhamento entre executivo e forças armadas.

Resume-se toda a complexidade da relação entre executivo e legislativo como um “toma lá dá cá”, mas os mesmos críticos não percebem o perigo de entregar setores da administração pública a bancadas setoriais e forças militares. Quem vai ser anteparo aos interesses do agronegócio, se a pasta da agricultura foi entregue a essa bancada? Como o governo irá se contrapor, como ente moderador, quando o ministério da educação foi dado a uma bancada – a dos evangélicos – com interesses particularistas? O “toma lá dá cá” não será menor. Ao contrário, cada galinheiro está sendo entregue a um grupo de raposas sedentas pela carne. O Estado não será órgão vigilante geral, mas oligarquizado como princípio governamental.

Vale enfatizar que a administração Bolsonaro irá começar assim. Só que não há a menor garantia que assim permaneça. É bastante racional supor que os líderes na câmara e no senado, percebendo a óbvia intenção do presidente eleito, dificultem sua vida na aprovação de projetos, forçando o a negociar. O poder moderador a ser exercido pelos partidos será fundamental para a nossa jovem democracia.

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