Bolsonaro é cria das jornadas de junho

A literatura acadêmica parte de dois erros fundamentais quando trata das chamadas “jornadas de junho de 2013”. Defende que o movimento se alastra a partir de São Paulo, desconsiderando as ações que já ocorriam nos outros estados do país anteriormente. E, além disso, pensa aquele borbulhar de acontecimentos como capitaneado por uma “pauta plástica”.

Bem, o dado concreto é que uma agenda se sobressaiu – a da antipolítica, aquela que era contra “tudo que está aí” e não uma multiplicidade de reivindicações, apesar dos muitos cartazes. A agenda do “povo na rua”, “sem partido” porque político é corrupto e não é “patriota”. E o Brasil? Nada caminhou. Pior: vive uma desordem generalizada. O chamado à ordem veio em seguida.

O discurso acima pode até mudar tudo – e mudança não necessariamente é para melhor -, mas isto ocorreria com quem melhor soube montar o cavalo que passou selado bem na sua frente. Um político que até então vivia de políticas clientelistas voltadas para familiares de militares e se preocupava mais em eleger toda sua família, abrigando outros tantos como comissionados, do que pensar num projeto de nação (sem entrar no mérito de que ideologia alicerçaria o projeto de nação). A partir de suas falas exóticas pró-ditadura, Bolsonaro cresceu na crista da onda de 2013. É um filhote dela.

Deixe uma resposta