Bolsonaro, o principal inimigo do lavajatismo

BOLSONARO, O PRINCIPAL INIMIGO DO LAVAJATISMO

Jair Bolsonaro abre diversas frentes de ataque aos órgãos de controle. Trabalha para amansar o próximo procurador geral da república, frita o poder do coaf e a polícia federal age no terreno do puro viés ideológico, dando voz a teses de hackers russos e “diálogos cabulosos”. Não é acaso, mas projeto de governo.

O confronto de Bolsonaro com os procuradores lavajatistas, aqueles que ajudaram a embalar a tese do sistema apodrecido e combinaram publicação de delação furada em véspera de eleição, já ocorre. O perfil oficial do presidente compartilhou conteúdo em que chama o chefe da força tarefa, Deltan Dallagnol, de esquerdista do PSOL. A hashtag #DeltanNaPGR é hipótese de quem vive em outra dimensão.

A base bolsonarista segue ocupada com outros temas de atração fantasiosa e autoritária. Eles têm especial predileção pela sinalização do sombrio e do conspiratório. Cultivam fascinação por “caixa preta”, ideologização disso e daquilo outro e alimentam uma utopia da ordem de restauração do passado, como escreveu o cientista político Mark Lilla. Miram como alvo o PT/Sistema Político. Só que o mal estar é na verdade contra tudo o que o projeto moderno de sociedade representa: racionalismo, democratização da política e da intimidade e pacificação da vida em sociedade.

Enquanto Bolsonaro concede a Matrix como prêmio de consolação aos seus, a história está se encarregando de pregar uma peça para não ser esquecida: hoje, o bolsonarismo é o principal inimigo do lavajatismo, a ideologia que tornou sua vitória possível.

Nesse interim, a janela de oportunidade aberta pela chamada chamada “vaza jato” produz ao menos um efeito pernicioso. Suas revelações são importantíssimas e não podem parar. O combate à corrupção não pode servir de escudo para a subversão do voto popular e para a construção de estados criminosos paralelos. Mas Bolsonaro usa a situação para aguçar a retórica pró-purificação do sistema, impingindo aos oponentes a pecha de defensores de criminosos, enquanto ele desmancha as trincheiras duramente erguidas dos órgãos de controle protetores da separação entre público e privado.

Não fossem as consequências deletérias e que alcançarão a todos, sem distinção, daria gosto de rir de tudo o que acontece de camarote.

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