Ciro, São Paulo e o mito do nordestino cangaceiro

Quem já morou em São Paulo sabe o quanto o nordestino é vítima de preconceito. Certamente, também conhece os deboches e piadas que vêm de todos os lados contra a gente.
Um dos esteriótipos é o de que somos irracionais, irritadiços e resolvemos tudo na ignorância. Claro, o pano de fundo é uma falsa oposição entre o nordestino animalesco e o paulista educado, civilizado e racional. Somos uma região povoada por Marias Bonitas e Lampiões. São Paulo, ao contrário, seria a resistência moderna e que trabalha pelo país (eles alegam que nos sustentam).
Como eleitor, por já ter vivido naquele estado, sempre olho o que os candidatos têm a dizer sobre o nordeste. Pois, sim, acho que merecemos tratamento específico. Não melhor, nem pior, específico(!) por toda a história do Brasil.
Uma das razões para eu não votar no PSDB é por entender que sua executiva nacional não apresenta nada para quem mora aqui na parte superior do mapa.
Bem, resolvi escrever isto ao ver que Ciro é chamado, por parte da militância de direita e de esquerda, de coronel e cangaceiro.
Gente, a pessoa pode cultivar restrições contra Ciro e/ou não votar nele. O sufrágio é livre e você faz o que bem entender com ele. A crítica e o ataque também fazem parte do pacote. Democracia é bom assim.
Mas seria legal, de repente, pensar na forma com que você reproduz preconceitos e racismos regionais para atacar um candidato considerado por você oponente numa eleição. As palavras têm poder e ajudam a reforçar desigualdades históricas que serão carregadas por todos nós.

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