Com avaliação em queda, Bolsonaro poderá apelar para mais populismo

Prestem atenção em duas situações. Primeiro, a avaliação positiva em queda de Jair Bolsonaro. Nunca ela foi tão baixa para um presidente em início de governo, conforme já dois institutos (Ibope e Xp Investimentos). Ele só tem 35% de ótimo e bom, pouco para um início de gestão.

Segundo, a forma com que o governo vem patinando na articulação com o congresso. Ocorrem coisas que é até custoso imaginar. Além do fato de Bolsonaro não querer partilhar poder e não há nenhuma razão nobre aqui. Ele quer ficar com todos os cargos para seu grupo, algo inaceitável para o congresso que também, em tese, faz parte da coalizão. Há os articuladores do governo bastante ruins se jogo. Os filhos de Bolsonaro também não param de arrumar problemas. Carlos Bolsonaro, o Pitbull de Jair Bolsonaro, foi tripudiar de Rodrigo Maia, pela prisão de Moreira Franco, casado com a sogra de Maia. Como reação, ele já disse que deixa a articulação da PEC da Previdência. A reforma da previdência era o que ainda vinha dando ar de normalidade ao governo.

Ora, é ingênuo imaginar que Jair Bolsonaro assistirá sua popularidade despencar inerte. Era a partir dela que ele esperava fazer alguma e pressionar o congresso, inclusive. Num ambiente de estagnação econômica, a operação daria errado como vem acontecendo. Bolsonaro já gastou parte do seu capital e não há qualquer sinal de reversão da crise econômica e suas prometidas reformas não estão no horizonte.

O presidente partirá para ações que sabe melhor fazer na busca de reabastecer sua força – medidas autoritárias e populistas. Esse movimento será maior, na mesma medida em que sua avaliação diminua. Será mais errática na mesma proporção em que seu grupo, se é que ele existe, fique mais afoito. É ponto pacífico na literatura especializada que o nosso presidencialismo de coalizão não funciona bem sem um líder capaz de tocá lo com habilidade. E certamente Bolsonaro não é este líder.

Fica aqui uma aposta na forma de prognóstico: o único resquício de liberalismo da gestão Bolsonaro sumirá, caso sua avaliação continue em linha descendente.

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