Contra os fantasmas do passado: é preciso utilizar táticas novas em defesa das universidades

CONTRA OS FANTASMAS DO PASSADO: É PRECISO UTILIZAR TÁTICAS NOVAS EM DEFESA DAS UNIVERSIDADES

O isomorfismo manda, digamos assim, em nossas ações. Diante dos recentes cortes orçamentários das universidades, a comunidade universitária e quem com ela se identifica, estão copiando o modelo de ataque, por um lado, do combate “contra o neoliberalismo dos tempos de FHC” e aliando o discurso às “táticas identitárias” que ganharam hegemonia na esquerda nos últimos anos.

Penso que estamos diante de uma situação distinta.

1. Temo que uma greve agora, como as que foram feitas contra FHC, “confirme” para o bolsonarismo, cerca de 30% da população brasileira, os ataques que o presidente vem fazendo. Tanto é assim que os defensores de Bolsonaro acenderam o sinal amarelo e passaram a comparar os cortes atuais com os que ocorreram com Dilma. Uma suposta forma de denotar uma incoerência da esquerda, como se a manutenção da universidade fosse desejo apenas deste grupo. Interessa ao governo manter essa briga resumida a “esquerda x direita” em elevada temperatura.

Ora, os cortes atuais inviabilizarão a formação e a pesquisa em todo o país, de quem foi ou é eleitor de Bolsonaro ou não.

2. Discordo da ideia de tratar o “universitário” como uma identidade que confere autoridade moral, para falar sobre o “pensamento crítico” versus um suposto outro grupo que não quer que ninguém pense. Não é possível convencer, chamando terceiros de burros ou de fascistas, espalhando fotos de alunos dos Institutos Federais que apoiaram Bolsonaro durante a campanha. Ser universitário é uma condição universal, que pode melhorar a vida de todo e qualquer brasileiro. A universidade não é um projeto de intelectuais apenas, nem muito menos da esquerda; mas de toda a sociedade: de quem precisa de remédios, de tecnologia ou de avaliação para o melhoramento de políticas públicas. Repito, a questão é política e não moral.

Espero ser devidamente compreendido. Mas não está em questão uma oposição ao Bolsonaro ou a afirmação de uma identidade superior dotada de moralidade especial em que os demais devem prestar reverência, mas a continuidade das atividades universitárias. Se a universidade parar por falta de recursos, todo mundo será prejudicado.

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