Critérios

CRITÉRIOS

O que me chama atenção e me causa uma certa perplexidade questionadora é o fato dos procuradores verem as palestras de Lula como absurdas e as suas como naturais. Há um crivo de auto-privilégio.

Os valores das palestras de Lula seguiam uma lógica de mercado. A dos procuradores também. Entre eles, entretanto, falar de forma confidencial e remunerada para bancos investigados pelos próprios era algo aceitável. Mas as palestras de Lula eram objeto de crime.

Que auto-imagem é essa que os procuradores têm de si próprios, que os levaram a estabelecer tal ponto de vista?

Só consigo enxergar a velha visão supercidadã por ter uma graduação e ser concursado. Uma avaliação antipolítica que rebaixa o que vem dela e valoriza quem nunca dependeu de voto. Se o procurador é alguém que chegou ao cargo pelo estudo e esforço (eles não consideram obter voto algo no mesmo patamar do esforço meritocrático de ter sido aprovado em um concurso) e é um combatente da corrupção, ora, nada mais justo que engordem os seus salários com palestras.

Eu não consigo imaginar que pessoas vivam no terreno do cinismo puro e simples. Suponho hipoteticamente, pelos diálogos revelados e pelas posturas dos procuradores, tais critérios norteando seus comportamentos.

Deixe uma resposta