De caso pensado

Em vídeo, o secretário nacional de cultura Roberto Alvim citou trechos inteiros de um discurso de Josefh Goebbels, ministro da propaganda de Hitler. Não apenas isso: ele monta todo o cenário de forma idêntica ao que era utilizado nos tempos do nazismo. Ao fundo, toca Richard Wagner, compositor predileto de Hitler. É algo bizarro, mas escancaradamente programado. Filipe Martins, o poderoso assessor especial da presidência para assuntos internacionais, também já fez uso de fala franquista.

Hoje, o mesmo Alvim escreve texto, alegando que há coincidência de frases e que jamais copiou o membro do primeiro escalão nazista. Ainda aproveitou para atacar a “corja esquerdista”, os que não podem ser tratados como “normais”, cabe lembrar a fala recente de Bolsonaro. A ideia é aumentar o fosso anti-intelectualista num processo de erosão da confiança na imprensa, nos professores das universidades e outros centros de pensamento.

A consequência prática é que o poder fiscalizatório da sociedade contra o governo fica esvaziado e o presidente age como se nada de errado estivesse acontecendo, mesmo quando mal feitos são apontados. Tudo vira “birra da imprensa” e, de quebra, é possível se vangloriar da ausência de corrupção. O ministro do turismo envolvido com laranjas não foi exonerado e muito menos o secretário de comunicação, que ganha dinheiro com o cargo prestando serviço para empresas beneficiadas por suas decisões. São apenas dois exemplos. Num período de normalidade eles já teriam caído.

O caso representa também uma maneira de encastelar jornalistas e intelectuais em um debate que a maior parte da população não está nem aí. E, de fato, quem tem o mínimo de bom senso se vê obrigado a repudiar o que é, sem dúvida, mais um episódio absurdo do atual governo. Uma arapuca difícil de desarmar pelos próximos anos.

Deixe uma resposta