Delatores ganharam fé pública no Brasil

Joesley Batista disse que dava 50 mil mensais ao Aécio, através de um contrato de publicidade que a JBS mantinha com uma rádio de propriedade do senador em MG. O contrato de publicidade era legal. Como é que o Batista irá provar o que está dizendo? Não sei. Os jornais que apuraram explicitam muito menos. Mas o cara fala e fica por isso mesmo.

As matérias do Estadão levam títulos em que há uma afirmação direta sobre o ato ilícito. No Brasil a fala de delator ganhou fé pública. É um absurdo que se banalizou.

Em seu livro entrevista, Lula insinua que os depoimentos do Palocci não foram feitos por ele. A desconfiança é bem razoável. Além do citado “pacto de sangue”, Palocci fala em dinheiro para campanha não mais como “ajuda”, mas como “propina”. É uma terminologia estranha ao mundo político.

Há uma fome com uma vontade de comer que casa bem – delatores loucos para voltarem para casa + uma extrema falta de cuidado para demonstrar provas, sei lá, mais robustas do que apenas a fala de um delator, o que redunda em = ministério público ditando a política brasileira. Só que sem votos.

Vocês podem falar que eu estou exagerando. Mas cabe lembrar que os cortes no Bolsa Família foram afiançados por supostos milhões de casos ilegais de recebedores, de acordo com o MPF (colocarei as matérias nos comentários). Vocês colocam o aumento da pobreza na conta do Temer. Só que o MPF legitimou a ação que incrementou os que se encontram entre os extemamente pobres.

Enquanto essas contradições não são debatidas, sabe se que o ex-procurador, aquele que saiu para ser advogado, Marcelo Miller, tinha o apelido de Massaranduba Miller pela pressão que colocava nos delatores em potencial, que recebeu ajuda de colegas quando ainda era procurador e trabalhava ilegalmente para a JBS. Essas coisas aparecem nos jornais e não ganham apuração continuada. Simplesmente somem.

Por fim, quem se põe contra isso é taxado de ser contra o combate à corrupção, a favor de bandido ou de petista. Ser taxado de “petista”, a não ser em situações em que o indivíduo trabalha diretamente ligado aos setores de esquerda, é sinônimo de ostracismo, desemprego. A situação não é nada boa.

BESTEIROL DIÁRIO

Acompanhem os procuradores da república no twitter. Eles falam bobagens cotidianas por lá e demonstram visões demofóbicas do Estado. Mais: apresentam um ponto de vista peculiar sobre a formação de coalizões de governo. Poucos cientistas políticos brasileiros tiveram a coragem de expor a infantilidade de tais pontos de vista que embalam suas teses jurídicas (basta ler a sentença do Moro sobre Lula). O medo de ser enquadrado de adorador de bandido ou de petista é paralisante para quem não tem casca.

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