Desarticulação nacional se reflete na disputa sobre a reabertura do comércio entre Estados e Municípios; RN adia fração 2 e prefeitura do Natal não

O Supremo Tribunal Federal, após ser provocado contra a ação do governo federal, que queria manter tudo aberto em período de pandemia, delegou aos Estados e Municípios o poder sobre a regulação do funcionamento dos comércios locais.

A estratégia não foi apenas desastrosa do ponto de vista do isolamento, já que o governo federal, ao invés de respeitar as especificidades regionais, jogou contra a política no Brasil inteiro. Tivemos, durante a pandemia, governadores e prefeitos pedindo para que as pessoas ficassem em suas casas e o presidente Jair Bolsonaro, remando no sentido contrário e clamando para que as medidas sanitárias não fossem observadas.

A desarticulação nacional não teve reflexo apenas na consagração parcial do isolamento social nos estados e municípios com mortes evitáveis. Gera também problemas nos processos de reabertura da economia. O que aconteceu no estado de São Paulo e de Goiás também ocorre no Rio Grande do Norte.

Sem a distribuição nacional de critérios pelo ministério da saúde, único ente capaz de organizar e sincronizar ações num país complexo como o Brasil, o que há são Governos recomendando uma conduta e prefeituras indo no sentido contrário, em não poucos casos. O cenário acaba sendo impactado pela distância do pleito de governador e proximidade da eleição para prefeito.

No RN, por exemplo, a governadora Fátima Bezerra adiou a efetivação da fração da fase 1. Ora, há 90% de ocupação dos leitos e a pandemia se interioriza numa velocidade impressionante. Se temos cloroquina para 18 anos, fármaco que se mostrou ineficaz para covid-19, os remédios de intubação, por exemplo, estão próximos do fim no país todo. No entanto, o prefeito de Natal, Álvaro Dias, manteve a reabertura. Está claro que o tempo de Dias é cada vez mais o da sua reeleição. É possível que outros prefeitos o acompanhem. Ou não. Simplesmente ninguém sabe ao certo. Trata-se de uma desmoralização das medidas conjuntas e necessárias. Resultado: mais mortes esperadas.

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