Editorial: a volta do equilíbrio no RN tem nome

EDITORIAL – A VOLTA DO EQUILÍBRIO NO RN TEM NOME

Chama-se reforma da previdência. Sem ela, a gasto estadual apenas com militares, que já dobrou na última década, duplicará novamente em 25 anos. Os dados são do Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea) e foram publicados ontem (29) pelo Estadão.

A situação se torna ainda mais dramática para o caso do RN, que tem cerca de 48 mil aposentados e pensionistas para 52 mil servidores na ativa. As projeções do governo apontam para 15 mil aposentáveis apenas este ano. Os servidores do RN já estão muitos anos em seus postos. São quadros envelhecidos e com tempo para saírem da ativa.

A conta simplesmente não fecha, caros. O maior rombo fiscal do RN hoje é com previdência. São 135 milhões por mês que o governo coloca do próprio bolso para completar o pagamento de aposentados e pensionistas. São mais de seis Uerns por ano. E só aumentará.

Os serviços públicos estaduais não irão se normalizar mais satisfatoriamente sem uma reforma por aqui. Os salários também não serão quitados em dia por longo período. E não será por má vontade. Afinal, nenhum gestor quer uma situação como a descrita. É que a despesa é maior do que a receita e o desequilíbrio vem justamente do Instituto de Previdência do RN.

Ainda conforme dados divulgados pelo governo nos últimos meses, o rombo anual gerado pelo desequilíbrio fiscal é de cerca de 1,4 bilhão por ano. Com a hipótese da reforma vir a ser aprovada, a equipe de planejamento espera economizar cerca de 7,4 bilhões em 10 anos. Não resolveria tudo, mas já representaria um grande alento.

Não adianta especular. O desenrolar tem consequência objetiva. A governadora Fátima Bezerra não fará uma boa gestão se uma reforma da previdência não acontecer. Não existe varinha mágica, nem receita espetacular. Ou debatemos seriamente diante da inescapável reforma, sem fake news e hipóteses malandras, pautadas por interesses inconfessáveis, com supostas saídas fáceis, ou o quadro irá se agravar ainda mais. É só uma questão de tempo.

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