EDITORIAL – “Chapa empresarial” no RN é bode na sala

Foi criado um movimento dos empresários em prol da articulação em torno do pleito de 2018 no RN. Fala-se até em chapa própria com o carimbo do PIB Potiguar. Apesar da capacidade de mobilização na imprensa, se sobra, por um lado, recursos necessários para a campanha, falta o controle de bases partidárias e da moeda fundamental da política – voto.

A classe política está desgastada. É verdade. Só que isto não é fator suficiente para que o jogo seja controlado pelos empresários. O movimento, nesse sentido, é um bode na sala. Através dele, busca-se outra forma de negociar com os políticos e líderes partidários. Ao contrário de São Paulo, o Rio Grande do Norte não apresenta um contexto favorável para o aparecimento de um João Dória. Prova disso é o modo como as duas clientelas eleitorais se comportam diante de Lula.

Portadores de super CPFs, a forma legítima atual de doação eleitoral, os empresários ganharão poder de pressão. De posse de recursos, mas sem votos, podem levar setores estratégicos do Estado, vagas de suplência ao senado e até cadeiras na Assembleia ou na Câmara Federal, financiando pessoalmente os candidatos e montando coligações mais favoráveis aos seus interesses.

Este é o claro desejo, por exemplo, do empresário Tião Couto. Recém saído do PSDB, onde teve as portas fechadas por Rogério Marinho para ser candidato à federal, atira para cima, alegando ser possível pleiteante ao governo, para morder uma vaga na chamada casa do povo brasileira. Procura, no entanto, um partido para chamar de seu.

Há ainda os que colam no grupo para ver se conseguem viabilizar suas candidaturas, já que não obtiveram o apoio das agremiações com quem dialogaram. Com parcas capacidades discricionárias diante dos empresários, já que não controlam partidos nem bases eleitorais, é a estratégia do desembargador Claudio Santos e do ex-governador Geraldo Melo. Entusiastas, acabarão sendo deixados de lado na medida em que os empresários se aproximem, naturalmente, da classe política com poder de manobra efetivo. Ou mesmo poderão até atingir seus objetivos, mas desde que os seguidores da fina arte de Maquiavel endossem seus nomes.

Não há ambiência para um outsider por aqui. Mas, com a dificuldade de conseguir dinheiro, este sim o verdadeiro X da questão, latifúndios de controle estatal estarão à venda. Talvez, a um preço melhor do que nos tempos em que o financiamento empresarial era legal. O contexto é propício para ações especulativas. Uma forma de ir às compras. Com o provável resultado positivo para o PIB. Resta saber ainda se com semelhante êxito para o povo.

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