Editorial – Conta de padaria

Editorial – Conta de padaria

Em coletiva de imprensa, o MP disse que a operação cidade luz investigava desvios da ordem de 22 milhões na secretaria de serviços urbanos da Prefeitura do Natal. Fizeram uma conta de padaria. Partiram do pressuposto de que a propina era de 30% e aplicaram a porcentagem com direito até aos centavos.

É um troço estranho, sabe. É feita uma coletiva de imprensa, o pessoal joga o que quer de informação na rua e depois o processo passa a correr em segredo de justiça. An?

As pessoas citadas em vistosas manchetes de jornal, apesar de já condenadas, sequer podem se defender diante de tal configuração.

Agora, com a denúncia oferecida, o valor caiu para 2,1 milhões. É muito dinheiro? Claro que é. Segue sendo grave? Claro que sim. Mas é 10% do valor antes propagado.

Tem mais: o modus operandi não é o mesmo do relatado na coletiva de imprensa. Fala-se agora em serviços não prestados, mas que foram pagos. Segue sendo grave? Claro que sim. Mas é maça e não mamão. Merece credibilidade uma acusação que sequer caracteriza devidamente a ação criminosa?

Em resumo, tudo o que foi dito na coletiva de imprensa, tudo o que passamos semanas debatendo não vale praticamente de nada.

A informação oficial, quase que completamente desfeita na denúncia, segue na boca do povo. E o processo de verdade? Em segredo de justiça.

Em nome do combate à corrupção, nos acostumamos com tais irresponsabilidades cotidianas.

Ocorreu precipitação no caso? Tire suas conclusões, pois eu já produzi as minhas.

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