Editorial – Pra ficar registrado

Editorial – Pra ficar registrado

O presidente do COB Carlos Arthur Nuzman teve sua prisão provisória convertida para preventiva. Isto é: deverá mofar na cadeia até começar a falar.
As alegações do MPF aceitas pelo juiz, aquele que concede entrevista dizendo o que vai sentenciar antes de receber as objeções da defesa, são sempre as mesmas. Ele pode destruir provas e há indícios de que o Rei Arthur, antes queridinho da imprensa com gordos contratos de transmissão, participa de uma organização criminosa. Como em outros casos, Nuzman já sabia que estava sendo investigado há meses. A notícia era pública. Por que só pode destruir provas agora e, portanto, deve permanecer enclausurado? Será que, durante todo esse tempo, já não apagou o que podia e a polícia já não levou o que interessava quando fez busca e apreensão na casa dele? Pouco importa, me parece. Eu acho que já há uma petição pronta e eles só mudam o nome. 

Aposto que, em algumas semanas ou meses, ele começará a citar políticos como os grandes responsáveis pela corrupção brasileira e, provavelmente, acusar aquele que é sempre a cereja do bolo dos investigadores. Aquela palavrinha mágica que proporciona perdão de crime e faz antes tido como mentiroso virar guru revelador do caminho da luz.

Afinal, num estado como o brasileiro, com centenas de milhares de servidores, eleitos e cargos de livre nomeação, há uma super cabeça pensante onipotente e onipresente com capacidade de planejar e administrar tudo. Detalhe: tudo só de ruim. No máximo, um pequeno grupo praticante da fina arte de Maquiavel consegue executar todas as maldades inimagináveis: enrola o sistema financeiro, todo o aparato de controle estatal e não estatal e tira comida da boca de criancinhas, como falam os procuradores cientistas políticos de twitter. A corrupção aqui é assim: gigantescas somas transitam livremente sem que bancos, tribunais de contas, controladorias e o próprio parquet se dêem conta, tendo a certeza de que todos são homens de bem. É por isso que os fiscais não precisam ser fiscalizados. Só os políticos não prestam.

A sua delação, que será vazada antes mesmo merecer o nome, certamente, terá alguns floreados ao estilo velozes e furiosos ou poderoso chefão: falará em pacto de sangue, dirá que algum parente o procurou pra comprar um apto mas que era propina ou citará nomes em profusão.

Não poucas pessoas ficarão indignadas com os políticos e tomarão a fala do dito cujo como a consagração da verdade. Terminará tudo bem. É o novo Brasil.

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