EDITORIAL – Se o RN quiser ser a Paraíba, precisará tomar as medidas lá já em vigor; do contrário, a comparação não tem qualquer serventia

Virou moda no RN todo mundo comparar a nossa terra com o Estado da Paraíba. E, convenhamos, faz sentido. Temos mais ou menos o mesmo orçamento e tamanho. A Paraíba é um pouquinho maior, mas nada que impeça o tipo de escrutínio citado. A Paraíba avança e nós não. Há atraso de salários aqui e não por lá.

A questão, porém, não está no sonho, mas em ações concretas tomadas pelas gestões de lá que não foram efetivadas historicamente por aqui.

Serei suscinto.

1. Lá, não aconteceram elevações salariais indiscriminadas como aqui. Nenhum governador de lá saiu da gestão, passando o bastão para o próximo eleito com um monte de planos de cargos, carreiras e salários aprovados. A folha integral daqui tem, mais ou menos, 102 mil servidores, aposentados e pensionistas. A de lá 115 mil. No entanto, eles gastam menos com servidores do que a gente. Em quase todas as profissões, os salários lá são menores. Um auditor da Paraíba ganha cerca de 15 mil reais. Aqui alguns recebem a mesma coisa que um ministro do STF. As ditas “oligarquias”, como os sindicalistas chamam os grupos políticos que geriram o RN no passado, não foram duras com o servidor, mas pai e mãe ao custo hoje conhecido da paralisação da máquina.

2. Os poderes de lá custam menos do que os daqui e apresentam índices de produtividade maiores. Nossa assembléia, com menos deputados, é mais cara do que a ALPB.

3. Lá, há um claro projeto de desenvolvimento que aqui nós não temos. A Paraíba cresceu porque recebeu investimentos. Nós patinamos sem planejamento e sem o protagonismo da própria federação das indústrias do RN, que, apesar de em todas as administrações, nunca produziu uma noção consistente de crescimento.

4. Os paraibanos tiveram a coragem de fazer duros ajustes fiscais, implementar pec do teto de gastos, otimizar programas de incentivos fiscais, reformar sua previdência estadual, vender ativos e enxugar a máquina. Nós não fizemos. Ao contrário, neste presente momento os deputados estaduais, que recusaram aprovar estas medidas na gestão anterior, alegam que o governo tem 1,4 bilhão em caixa. Trata se, em bom português, de uma mentira simples e objetiva, além de uma péssima sinalização para a sociedade, vendendo um estado de bonança, quando na verdade é justamente o inverso. Não somos ricos. Só sairemos da crise quando entendermos que estamos quebrados.

A mera comparação com a Paraíba não nos dirá nada, caso a gente não aprenda com os acertos deles. Que nós deixemos a retórica de lado e passemos a incorporar o que lá funcionou. Só assim o espelho paraibano terá alguma serventia local.

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