Em 2018, O Potiguar já acreditava que Garibaldi terminaria sem mandato

Uma análise das eleições 2018: Alves e Maia diante de uma eleição duríssima e possível virada histórica

Do Blog do Bg

POR DANIEL MENEZES

Este modesto escriba escreveu disversas vezes, logo após o pleito eleitoral de 2016, que José Agripino não conseguiria se reeleger em 2018 caso tentasse. Foram muitas postagens aqui neste blog e textos produzidos para o finado Novo Jornal. A situação era límpida. Além dos problemas com a justiça, Agripino teria de enfrentar o claro desgaste da classe política que ele contraia de modo impressionante. Apesar de procurar uma reversão, ele percebeu que a travessia não seria nada fácil e desistiu sabiamente da disputa. Não se deixou contaminar pelo veneno que derruba carreiras na fina arte de Maquiavel – a vaidade.

O prognóstico acertado negligenciou outros aspectos de relevo. O problema não será vivenciado única e exclusivamente pelo presidente do DEM. Os mais associados, do ponto de vista da imagem, à classe política tida como “tradicional” no Rio Grande do Norte correm perigo. Outros grupos políticos, vale ressaltar, não estão há menos tempo no poder, nem muito menos são moralmente superiores – não está em questão aqui quem é melhor ou pior – do que aqueles que passaram a ser enquadrados como “Alves e Maia”. Mas serão eles que, por mais simbolizarem nossa longeva classe política no poder, os que se encontrarão na berlinda. Se antes o discurso contra as chamdas “oligarquias” era sinônimo de atitude radical por quem o proferisse, hoje virou atitude de protesto bastante aceita contra “tudo que está aí”.

A situação do senador Garibaldi Alves é igualmente inédita e sintomática do cenário delineado. Como escrevi há duas semanas atrás no imprenso do Agora RN, ele já obteve um milhão de votos em 2010. Hoje, conforme todas as pesquisas veiculadas, não chega a 1/5 dos votos e passou a ser, com a saída de Agripino, o mais rejeitado. Agripino era seu escudo no quesito. Com a saída de JáJá ficou agora colado em Garibaldi a imagem do representante da classe política na majoritária. Com um agravante: enquanto os demais candidatos ainda não são conhecidos, menos rejeitados e revelam teto mais alto para crescimento, Garibaldi sustenta sua votação na base do nível de lembrança e maior inserção nas cidades pequenas (recall). Seu eleitorado simplesmente envelheceu. As duas vagas para o senado têm em Zenaide uma forte postulante alicerçada pela base do voto lulista anti-reformas e Capitão Styvenson como novidade, isto se o próprio não acabar consigo mesmo, como um peixe que morre pela boca, até o dia da votação. Talvez até mesmo às convenções partidárias. E é aí que Antônio Jácome e Geraldo Melo não devem ser negligenciados.

Carlos Eduardo Alves criou um percurso próprio após rompimento familiar e aproximação, lá atrás, com o partido de Wilma de Faria. A questão, porém, é que, com a vitória de Robinson Faria em 2014 e inegável fortalecimento de Fátima no RN, ele se recompôs com aliados do passado, reconfigurando sua imagem a partir de um patamar que ele poderia ter evitado, não fosse sua clara dificuldade de produzir alianças mais consistentes. Colou de volta em Henrique, Garibaldi e na hoje decadente imagem que Agripino sinaliza em qualquer relatório de pesquisa qualis. E o que 9 entre 10 analistas do RN parecem negligenciar: a terrível avaliação negativa absorvida por Temer e pelo que representou a condução do impeachment no Brasil. Será tarefa inglória andar com o nome do atual presidente na testa no próximo pleito majoritário.

É significativo que o pré-candidato ao governo Carlos Eduardo Alves, por mais que ande pelo interior, não apresente crescimento nas pesquisas. Inclusive, cabe notar, colado com o prefeito Alvaro Dias, que deveria se preocupar mais em aparecer liderando a prefeitura que recebeu e não a pré-candidatura do filho, sob pena de contaminar a própria postulação de CEA. Nas últimas rodadas foi Robinson Faria, em busca de reeleição, a demonstrar alguma reação, mas ainda assim tímida. O governador seguirá crescendo, já que conta com a mais ampla coligação formada, um trabalho eficiente da sua renovada comunicação e caso a melhora nas contas públicas do RN perdure.

Fátima segue liderando todos os levantamentos e será complicado retirá-la do segundo turno, em que pese o estranho isolamento buscado pelo Partido dos Trabalhadores, dando de ombros para qualquer tipo de diálogo com o PSB e o PP. A incursão é justamente o inverso do que fez a própria Fátima para se eleger em 2014. A desculpa utilizada pelo PT de que quer guardar a vaga de deputado federal não cola. Mineiro dificilmente terá votação inferior as que serão obtidas por Rafael Motta (PSB) e Betinho Rosado (PP), ambos em busca de reeleição. Terá o PT aberto mão de tantas bases e tempo de tv pela ameaça de não fazer um deputado estadual?! O isolacionismo escrachado deu margem para a geração de teorias conspiratórias de que Fátima não deseja vencer. Obviamente uma suposição absurda. Outras questões não equacionadas por quem se encontra “de fora” das negociações devem ter pesado. Possivelmente as razões se tornarão públicas no futuro.

O fato é que a eleição será crucial para “Alves e Maia”. As duas famílias sempre viveram de máquina e o pleito duríssimo para Carlos Eduardo Alves, Garibaldi Alves com a já declarada desistência de Agripino pode significar uma circulação das elites dirigentes nas terras de poti. Estaremos diante de uma alteração histórica no status quo norte-riograndense? Há elementos para afirmar que nunca esta possibilidade pairou tanto no ar.

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