Erros, dificuldades e acertos: um balanço do governo Robinson Faria

Em entrevista de despedida ao jornal tribuna do norte, Robinson fez um balanço de seu governo. Enfatizou que, apesar de todas as dificuldades, conseguiu avançar em diversos setores.

ACERTOS

É verdade. Sua administração não se restringe ao que seus opositores procuram pintar. O governo Robinson representou uma significativa melhoria do sistema prisional, antes caótico. Ampliação de UTIs, hospitais e obras de infraestrutura também não faltaram. O ambiente de negócios foi simplificado com a boa atuação da Jucern e do IDEMA, pontos altos da gestão que se encerra. Ocorreram avanços em diversas áreas.

DIFICULDADES

O último governo sofreu com a perda de receitas federais, com o agravamento da seca e diminuição dos investimentos da Petrobrás no RN. Tal cenário contribuiu, em parte, para o crescimento da crise fiscal.

ERROS

ERRO UM: AUSÊNCIA DE AJUSTE FISCAL

Mas não é possível colocar tudo na conta da conjuntura federal. O principal erro de Robinson Faria foi não ter votado o ajuste fiscal desde o início do seu mandato.

Na largada, Robinson vendeu falso otimismo, quando deveria ter aberto à sociedade o revés financeiro herdado de Rosalba, que já usava o fundo previdenciário para o pagamento de salários.

Os estados que passaram pela crise foram os que ajustaram suas contas e atacaram de frente a explosão do déficit previdenciário estadual. Robinson apostou todas as fichas num apoio federal de Dilma e, depois de Temer, que nunca veio. Subestimou a crise.

Ele reclama, com razão, que não recebeu apoio federal, nem da bancada. Mas ao não fazer o ajuste, ele se tornou ainda mais dependente de uma ajuda que não tinha condição de influenciar. Ficou ainda mais a mercê de forças que não controla. E em política não é nada bom depender apenas da fortuna.

O governo Robinson ensinou que não adianta fazer gestão voltada para os servidores. O ainda governador implementou o aumento da polícia civil e promoveu os policiais militares. Hoje, temos delegados ganhando acima dos 30 mil reais e agentes mais do que 10 mil. É um absurdo para um Estado pobre como o nosso. Ironicamente, são as categorias que mais impuseram derrotas políticas ao governo.

Quem utiliza o exemplo da Paraíba para se contrapor à situação potiguar, deveria lembrar que os salários dos servidores de lá são bem menores do que os daqui. Por isso estão em dia.

Em 2017, Robinson mandou, tardiamente, mas nem por isso de modo menos necessário, o ajuste para a assembleia. Mas, já próximo da eleição, os deputados preferiram deixar a bola de neve crescer do que terem suas reeleições ameaçadas. A irresponsabilidade dessa legislatura era esperada.

ERRO DOIS: APOIO AO IMPEACHMENT DE DILMA

O segundo erro de Robinson Faria foi apoiar o impeachment de Dilma. Tal postura foi ancorada numa ingenuidade colossal. A ideia era a de que o PT estaria morto daquele momento em diante, desconsiderando que um partido que controla parte das igrejas, dos sindicatos e da intelectualidade universitária no Brasil não falece facilmente.

Robinson ouviu, talvez por embalar sua vontade individual, os assessores e analistas que são especialistas na própria sobrevivência pessoal próxima do poder, sentindo e falando o que os líderes querem ouvir. Mas tendo (ou não exercitando), na prática, rala visão prospectiva em política. Por isso conseguem figurar em todos os governos.

O PT, além disso, é muito forte no nordeste – no RN, consequentemente – e não havia indícios de que isto se alteraria com Temer.

Com a ação, Robinson deu o discurso que Fátima precisava para se eleger, ao desvincular sua imagem daquele com quem se coligou em 2014. A ideia transmitida foi a de que Lula, que havia pedido voto para Robinson Faria em 2014, foi traído pelo governador.

É compreensível que Robinson, com a inevitabilidade do impeachment, tenha colado em Temer ansioso por ajuda federal. Só que diversos grupos políticos fizeram isso após o impeachment sem grandes problemas. A impressão que fica é que Robinson levou uma pernada de Temer, que nunca deu a mão de fato ao RN.

Não tenho a menor dúvida de que, se tivesse pintado o caos em 2015, votado o ajuste fiscal e domado o PT do RN – inimigos em potencial a gente mantém próximo -, Robinson Faria estaria indo para mais um mandato. Foi assim em outros Estados portadores de contextos relativamente semelhantes.

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