Fátima e os ataques que ajudam sua candidatura

Gosto de tentar avaliar, na medida das minhas limitações, as estratégias de ataque entre os oponentes numa campanha eleitoral. Não nos enganemos, a propaganda negativa faz parte de cerca da metade da campanha e tem a função positiva de informar ao eleitor aquilo que naturalmente nenhum candidato falará de si próprio. Mas a coisa tem de ser cirúrgica. Do contrário, o ataque se volta contra o impetrante no chamado efeito bumerangue.

Bem, é o que acredito que acontece no caso de alguns conteúdos distribuídos pelos opositores de Fátima (PT). A petista vem sendo criticada por falar “gopi” e por ter passado supostamente todo o seu mandato, defendendo Lula. Imagens dela comendo na mesa do senado seguem circulando. A intenção de quem propaga este conteúdo seria mostrar que ela não saberia falar português, não trabalha para o RN e desrespeitou o senado.

A questão é que, em matéria de comunicação, devemos pensar não apenas na transmissão mas, principalmente, na recepção. Quem consome um conteúdo o faz ativamente, dando sentido a partir de seu universo conceitual. Não é um robô inerte e programável. É um preconceito comum entre portadores de instrução formal acreditar que os demais não apresentam tal capacidade de reflexão.

Então, ao invés de imaginar que o conteúdo em tela propagado será digerido sem resistência, cabe pensar de que modo ele será apreendido.

Majoritariamente, o eleitor do RN não mora entre os eixos Ponta Negra – Petrópolis. Ele tem sotaque sertanejo, vale lembrar, e não achará que está em pauta uma regra de gramática, mas um desrespeito contra o jeito de falar do nordestino. Ele se identificará mais com o jeito de falar arrastado de Fátima do que com a suposta crítica embutida no conteúdo.

Sobre a acusação de passar muito tempo defendendo Lula e pouco o RN basta lembrar que o ex-presidente tem cerca de 60%, 70% dos votos válidos por aqui. A pessoa imagina que defender Lula nesse cenário gera ou tira voto? Se eu tivesse numa eleição aqui no RN iria adorar receber tal ataque dos oponentes.

Por fim, vem a foto do almoço na mesa da presidência do senado. Mais uma vez é bom olhar para os números. A coisa chega a ser óbvia para quem não pratica etnocentrismo, ao analisar a situação. Temer tem 90% de rejeição, suas reformas são largamente reprovadas. Por isso, a pergunta: a situação será encarada como um desdém com a sacralidade do senado, como querem os propagadores da foto; ou uma resistência contra os “poderosos” de Temer?

Se forem para cima de Fátima com isso, é capaz dela subir mais, ao invés do contrário.

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