Fotografia de luto no RN: Morre aos 87 anos, Jaeci Emerenciano Galvão

Extraído do Portal Agora RN

A fotografia está de luto nesta segunda-feira, com a notícia da morte de um de seus maiores mestres, Jaeci Emerenciano Galvão, aos 87 anos, de causa natural. Ele havia sido internado em dezembro passado em um hospital particular de Natal, após sofrer um AVC. por conta da idade, o estado de saúde dele inspirava cuidados. Infelizmente, o homem que registrou a ‘Natal de ontem’ deixa hoje a cidade mais triste. O corpo está sendo velado no Centro de Velório, na rua São José, em Lagoa Seca, e o sepultamento será às 16 horas no cemitério Morada da Paz.

Ele é considerado um veterano da fotografia, onde registra, desde os anos 40, imagens do cotidiano na capital potiguar, até mesmo na época da 2ª Guerra Mundial. Ele mantinha um dos acervos particulares mais completos da cidade, como praias, monumentos históricos, principais ruas e avenidas, acontecimentos políticos e sociais e peculiaridade da cena urbana.

Jaeci Emerenciano Galvão nasceu em Natal, no dia 5 de julho de 1929, filho de Jaime e Cecília. Seu pai, Jaime Coelho Galvão, trabalhou na coletoria pública do município da Penha, hoje Canguaretama. Residiram, nesse município, por 10 anos e depois retornaram a Natal, para o pai de Jaeci exercer o cargo de fiscal aduaneiro da alfândega. E, Cecília Emerenciano Galvão, sua mãe, foi uma mulher a frente de sua época. Jaeci, da mãe herdou todo o empreendedorismo e o gosto pelos negócios.

A escolha profissional veio sob grande incentivo da mãe de Jaeci, que preocupada com o futuro do filho, observou a sagacidade com que o menino manejava a máquina fotógrafa do pai e cogitou a profissão de fotógrafo. Como relembra sua irmã: “Papai tinha uma máquina, ele começou com a máquina de papai e tio Alphéo, ajudou depois”.

Jaeci objetivava comprar um bom equipamento e com o apoio da sua mãe montou uma sorveteria. Nesse empreendimento, era responsável pela fabricação dos sorvetes e organizava um grupo de garotos para a venda nas ruas e nas praias de Natal. Logo, quando Jaeci tinha seus 15 anos, seu tio Alphéo, militar, em uma viagem de retorno à Natal, lhe apresentou um marinheiro que comercializava máquinas fotográficas e outras mercadorias. Entre as máquinas que estavam disponíveis, havia uma Voiitlender Baby Bessa, de origem alemã. Nessa câmara, Jaeci viu à oportunidade de profissionalizar o seu trabalho na fotografia, era uma das máquinas mais modernos da época. A irmã Terezinha, afirma que a responsabilidade e a vontade de trabalho, sempre cercou a vida de Jaeci. Muito cedo abraçou os deveres profissionais e familiares.

O trabalho desenvolvido por Jaeci Emerenciano Galvão, “o fotógrafo dos artistas”, elaborou uma narrativa visual da cidade de Natal. As projeções e perspectivas visuais paisagísticas de suas imagens nos cartões-postais cruzam os anos de 1940 a 1980 e inscrevem esses espaços na memória coletiva.

As produções fotográficas de Jaeci encenam a cidade em seu crescimento urbano. E o fotógrafo além de ser autor de um dos mais completos acervos iconográfico da cidade, é a memória viva de um período singular da história de Natal.

 

 

Fonte: Com informações da Assessoria de Comunicação Fotec

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