Gabolagem, mentira e ambiente acadêmico

GABOLAGEM, MENTIRA E AMBIENTE ACADÊMICO

Uma situação inusitada ocorreu em uma sala de aula e foi presenciada por um amigo próximo há alguns bons anos atrás. Um grupo de alunos, cansados de uma professora que dizia ter lido todos os livros citados por eles, resolveu pregar uma peça: um deles perguntou se ela conhecia o filósofo Tilibrá (a marca do caderno Tilibra em versão afrancesada). Discente, não raras vezes, é perverso e vai na ferida de quem se encontra exposto lá na frente. A docente, não apenas disse que conhecia a obra de Tilibrá, como tinha cursado disciplinas com ele quando esteve na França.

É uma história extrapolada, mas que diz um pouco sobre como funciona o ambiente acadêmico. Trata-se de um espaço, como se diz em linguagem coloquial corrente, de muita gabolagem, disputa pela autoridade da fala, de violência.

As pessoas têm vergonha de reconhecerem que não leram livros importantes, o que é mais do que normal. Ninguém precisa nem consegue engolir todas as obras de sua área. Porém, tornar público uma limitação qualquer não é fácil. Até porque o ataque vem.

Os acadêmicos, digamos assim, incham suas experiências em pesquisas, nas relações com os medalhões, vistos como gurus, até que elas se distanciem absolutamente da verdade. Fazem caras e bocas em situações nas quais precisam demonstrar uma suposta superioridade intelectual reflexiva. A performance – jocosa para quem vem de Marte – não é um ponto fora da curva.

Não é de estranhar que essa lógica também se reflita nos currículos lattes. Há cursos sobre como melhor preencher o documento que expressa a vida acadêmica alheia. Com isso, a distância entre a afirmação de si mesmo verossímil com a pura mentira, acaba ficando bem curtinha. Daí o aparecimento de alguns casos enganosos nos jornais. Eles não deveriam gerar escandalização, mas debate. Só que o otimismo não cabe para o cenário em análise. Vão escantear provavelmente o assunto até que tudo mude para permanecer como sempre.

Deixe um Comentário