Inacreditável: Sentença de Moro é “irretocável”, diz presidente de tribunal que deve analisar recurso de Lula

Inacreditável: Sentença de Moro é “irretocável”, diz presidente de tribunal que deve analisar recurso de Lula

Lula entrou com recurso contra sentença proferida pelo juiz Sergio Moro no caso do Triplex. Ela subiu para o Tribunal Regional Federal. Pois bem, o presidente do referido tribunal deu entrevista ao Estadão, alegando que a ação de Moro é tecnicamente irrepreensível.

Será que não caberia um pouco de parcimônia e um menor desejo pelo acesso aos microfones? Que justiça no mundo age assim, antecipando juízos de valor, emitindo opiniões sobre tudo, fazendo política cheia de privilégios e pressionando constantemente o orçamento? Isto quando o magistrado não tem proximidade com os famigerados “escritórios influentes”.

Fala-se tanto numa reforma da política, no entanto, bem que poderiam começar a pensar numa do judiciário.

Segue a matéria:

Sentença de Moro é “irretocável”, diz presidente de tribunal que deve analisar recurso de Lula

Do Estadão – R7

O desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, presidente do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª região), afirmou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, que a sentença em que o juiz Sérgio Moro, da primeira instância da Justiça Federal de Curitiba, condenou, no dia 9 de julho, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e seis meses de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, “é tecnicamente irrepreensível. “[Ele] fez exame minucioso e irretocável da prova dos autos e vai entrar para a história do Brasil”.

A defesa de Lula, no dia 14 de julho, entrou com um pedido de embargo de declaração, para que o juiz Sérgio Moro, esclareça detalhes da sentença.

Os advogados de Lula podem pedir também um recurso da sentença, que seria julgado então no TRF-4, por uma turma de três juízes — da qual Lenz não faz parte. A corte abrange os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Até a última quinta-feira, em três anos e cinco meses de Lava Jato, 741 processos já haviam chegado lá, 635 dos quais baixados.

Além de avaliar tecnicamente a sentença do juiz Sérgio Moro que condenou o ex-presidente Lula, o desembargador Carlos Eduardo Thompson discorreu sobre todas as possibilidades que podem ocorrer no julgamento da apelação da defesa: não só confirmação ou reforma da sentença, mas sua anulação, seja pela Oitava Turma do Tribunal, seja pelos tribunais superiores (STF e STJ), em relação à segunda instância. “Será um julgamento isento, discreto, com a imparcialidade que requer”, disse.

“A justiça não pode e não deve estar a serviço de ideologias políticas, de paixões partidárias, e, inclusive, de paixões populares”. Sobre a operação Lava Jato, disse: “Ela mostrou que O Brasil chegou a um nível inaceitável de corrupção. Mas não cabe ao Poder Judiciário regenerar moralmente uma nação”, afirmou Thompson.

Ele comparou a decisão de Sérgio Moro à sentença que o juiz Márcio Moraes proferiu no caso Vladimir Herzog – em outubro de 1978, quando condenou a União pela prisão, tortura e morte do jornalista. “Tal como aquela, não tem erudição e faz um exame irrepreensível da prova dos autos”, disse.

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