Lula contra Lula

A prisão de Lula foi para lá de estranha, para dizer o mínimo. Mas cabe mais. Prazos todos atropelados. Provas que não provam nada foram levadas em consideração. Testemunhas chantageadas para que mudassem suas versões. Do contrário, apodreceriam na cadeia. Uma confusão entre coalizões de governo e quadrilha foi plantada na imprensa, para que Lula aparecesse como chefe onipresente de tudo.
São fatos objetivos.
Agora, é uma tristeza o que o mesmo Lula produz. Ele resumiu todos os dilemas nacionais, com controle ímpar do seu partido, a um plebiscito sobre se seu encarceramento foi legal ou não. A agenda do PT se resume a isso. Até agora, também objetivamente, não ofereceu mais nada.
Uma eleição serve para estabelecer um pacto entre sociedade e o próximo governo a ser empossado. Que projeto Haddad produziu, além de “Lula livre”? O que Haddad, deslegitimado pela sombra de seu patrocinador e enfraquecido pelo problemático desempenho quando prefeito de São Paulo, irá fazer no âmbito da segurança ou da inadiável reforma fiscal do Estado? Não existe qualquer indicação de nada.
Com a corda cada vez mais esticada, Lula não está criando uma nova Dilma. A situação é potencialmente pior. Está construindo uma plataforma de crise, diante de uma pessoa sem liderança, com base em um provável “estelionato eleitoral” a ser instalado caso Haddad se torne presidente.
Aplicando todo o seu capital político no ato, Lula sairá menor dessa operação e pretende arrastar o país com ele. Sua prisão segue sendo uma injustiça. Mas a conta não pode ser paga por todos os brasileiros.

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