06/19/2017
Agora detentor da verdade, Joesley é mais um empresário bonzinho vítima de políticos
Daniel Menezes Daniel Menezes

A entrevista do Joesley JBS ao semanário global publicada neste último fim de semana foi negociada por uma semana entre as partes, perguntas foram analisadas previamente e, pela terminologia que ele empregou, provavelmente suas respostas submetidas ao crivo jurídico de terceiros - público (com quem fechou acordo de colaboração) e privado (seus advogados). Na não tão vã ignorância do passado, indagações feitas apenas pra o interlocutor cortar tinha próxima relação com o que é comumente chamado de jornalismo chapa branca. E os interesses em jogo eram objeto de suspeição.

Foi uma festa. A narrativa é da vítima empresarial que se viu obrigado a fazer negócios do jeito que o levou a ficar bilionário porque foi obrigado. Empresários são achacados, nunca achacadores. O PT e o PMDB são organizações criminosas. E a corrupção no Brasil tem um novo chefe. Antes era Lula. Agora é o Temer. Posso supor, com otimismo, que se ele for retirado ela desaparecerá? É o que esta lorota de procurar um cabeça gera como falso entendimento.

Por fim, os procuradores são "rapazes novos e inteligentes", conforme o Joesley. O jornalista ainda questiona, assim meio como quem não quer nada, sobre anistia ao caixa 2 e o projeto de abuso de autoridade que tramita no legislativo. Ora, pra acabar com a operação Lava Jato, sentencia o delator agora portador de um ativo invejável: a possibilidade de dizer o que é verdade e o que não é. Os vários crimes dos quais é acusado o dono da JBS não despertam a curiosidade do entrevistador.

O Michel Temer tem de ser retirado do cargo. Sua fides implícita ruiu. Vísceras estão expostas. Pego com a mão na botija, não tem a menor condição de representar nada, nem ninguém. Apenas algumas dúzias de desesperados que querem acabar com uma legítima investigação.

Hoje, sua falta de legitimidade tem potencial para acabar de vez com o restinho de sensatez entre àqueles que lideram nossas instituições. Este recurso se encontra escasso pela própria análise do que foi empreendido com a entrevista. Quando um presidente não tem a menor condição de reagir contra um insidioso bate bola entre uma rede de comunicação, um empresário colaborador premiado autor do crime de lesa pátria de levar bilhões de nossas divisas e empregos para outro país e um ministério público ansioso por influenciar a pauta do congresso é porque a coisa se esfacelou de vez.


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  • Daniel Menezes



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