05/18/2017
PF e MPF cumprem mandados em endereços ligados a Aécio Neves no Rio
Daniel Menezes Daniel Menezes

Do G1 - A polícia Federal e o Ministério Público Federal cumprem nesta quinta-feira (18) mandados de buscas e apreensão em imóveis do senador Aécio Neves e no gabinete dele no Congresso. Há um mandado de prisão contra a irmã dele, Andréa Neves. Um procurador da República foi preso e há mandados contra pessoas ligadas ao ex-deputado federal Eduardo Cunha.

A operação teve início após a delação do dono do frigorífico JBS, Joesley Batista, que entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma gravação do senador Aécio Neves pedindo a ele R$ 2 milhões.

Além de Aécio, também são alvos desta operação os gabinetes do senador Zezé Perrela (PSDB-MG) e do deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR). O G1 não conseguiu localizar a defesa deles.

Equipe da Polícia Federal em frente a residência do senador Aécio Neves em Brasília (Foto: Marcione Santana/TV Globo)Equipe da Polícia Federal em frente a residência do senador Aécio Neves em Brasília (Foto: Marcione Santana/TV Globo)

Equipe da Polícia Federal em frente a residência do senador Aécio Neves em Brasília (Foto: Marcione Santana/TV Globo)

Em São Paulo, há buscas em imóvel do coronel João Batista Lima Filho. A PF está também na porta da casa de Aécio, em Belo Horizonte, na Rua Samuel Pereira. A casa de Aécio em Brasília também é alvo de buscas.

No Rio, estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão em três endereços. Além dos apartamentos do senador Aécio e da sua irmã, os policiais estão no imóvel de Altair Alves Pinto, conhecido por ser braço direito do deputado Eduardo Cunha.

Agentes da PF entram no apartamento do senador Aécio Neves (PSDB) em Ipanema

Por volta das 6h15, pelo menos 5 carros descaracterizados da Polícia Federal chegaram à chapelaria do Congresso, em Brasília, que é a principal entrada e a mais utilizada pelos parlamentares. No Congresso, as buscas são feitas nos gabinetes de Aécio, do também senador Zeze Perrella (PMDB-MG) e do deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR).

O procurador da República Ângelo Goulart Villela foi preso e há mandado de prisão contra o advogado Willer Tomaz, que é ligado a Eduardo Cunha. A PF também faz buscas no Tribunal Superior Eleitoral, onde atua Villela.

Equipes da PF e do MPF em frente ao prédio de Andrea Neves, irmã de Aécio, em Copacabana (Foto: Leslie Leitão/TV Globo)Equipes da PF e do MPF em frente ao prédio de Andrea Neves, irmã de Aécio, em Copacabana (Foto: Leslie Leitão/TV Globo)

Equipes da PF e do MPF em frente ao prédio de Andrea Neves, irmã de Aécio, em Copacabana (Foto: Leslie Leitão/TV Globo)

Em Ipanema, um chaveiro foi chamado para auxiliar o trabalho dos agentes, já que ninguém foi encontrado para abrir a porta no apartamento de Aécio. O senador já responde a seis inquéritos no Supremo Tribunal Federal. Por volta das 6h25, os agentes conseguiram entrar no apartamento após acionar um chaveiro para abrir a porta. O funcionário de um hotel que fica ao lado do edifício foi chamado para servir de testemunha.

G1 tentou ligar para uma assessora de Aécio Neves, mas o telefone estava desligado. Também não conseguimos contato com os outros citados na reportagem.

No apartamento de Andréa, em Copacabana, também na Zona Sul do Rio, os agentes não localizaram ninguém e até as 7h10 não tinham conseguido entrar no imóvel.

Chaveiro é chamado para abrir apartamentos de Aécio e irmã

Pouco antes das 6h, os agentes chegaram na casa de Altair, na Rua Conselheiro Olegário, número 20, na Tijuca, Zona Norte do Rio. Os policiais pretendem cumprir mandado de busca e apreensão no local.

Altair já trabalhou no gabinete do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e também no gabinete de outros deputados ligados ao ex-presidente da Câmara. Ele já foi apontado por Fernando Baiano por ser o responsável por transportar propinas para Cunha. Os agentes também chamaram um chaveiro para abrir a porta do imóvel, mas até as 7h ainda não havia informações se os agentes encontraram alguém no imóvel.

Na noite de ontem Aécio Neves foi visto lendo o noticiário no celular e, em seguida, deixou o Congresso. (Foto: Jorge William / Agência O Globo)Na noite de ontem Aécio Neves foi visto lendo o noticiário no celular e, em seguida, deixou o Congresso. (Foto: Jorge William / Agência O Globo)

Na noite de ontem Aécio Neves foi visto lendo o noticiário no celular e, em seguida, deixou o Congresso. (Foto: Jorge William / Agência O Globo)

Delação da JBS

A operação teve início após a delação do dono do frigorífico JBS, Joesley Batista, que entregou à Procuradoria-Geral da República uma gravação do senador Aécio Neves pedindo a ele R$ 2 milhões. No áudio, com duração de cerca de 30 minutos, o presidente nacional do PSDB justifica o pedido dizendo que precisava da quantia para pagar sua defesa na Lava Jato. A informação foi divulgada pelo jornal "O Globo" na quarta-feira (17).

A entrega do dinheiro foi feita a Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio, que foi diretor da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), nomeado por Aécio, e um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014.

Em nota, a assessoria de imprensa de Aécio Neves afirmou que o senador "está absolutamente tranquilo quanto à correção de todos os seus atos".

"No que se refere à relação com o senhor Joesley Batista, ela era estritamente pessoal, sem qualquer envolvimento com o setor público. O senador aguarda ter acesso ao conjunto das informações para prestar todos os esclarecimentos necessários", diz o texto.

Ainda segundo a delação de Joesley, também foi feita uma gravação onde o presidente Michel Temer dá aval para comprar o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), depois que ele foi preso na operação Lava Jato.

Agentes da Polícia Federal chegaram às 5h54 no prédio na Avenida Vieira Souto, em Ipanema (Foto: Cristina Boeckel / G1)Agentes da Polícia Federal chegaram às 5h54 no prédio na Avenida Vieira Souto, em Ipanema (Foto: Cristina Boeckel / G1)

Agentes da Polícia Federal chegaram às 5h54 no prédio na Avenida Vieira Souto, em Ipanema (Foto: Cristina Boeckel / G1)

Promotores do Ministério Público Federal e agentes da PF chegam em endereço em Ipanema, na Zona Sul do Rio (Foto: Cristina Boeckel / G1)Promotores do Ministério Público Federal e agentes da PF chegam em endereço em Ipanema, na Zona Sul do Rio (Foto: Cristina Boeckel / G1)

Promotores do Ministério Público Federal e agentes da PF chegam em endereço em Ipanema, na Zona Sul do Rio (Foto: Cristina Boeckel / G1)


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