02/21/2017
Planalto avalia que pressão do PMDB por ministro da Justiça e líder do governo foi além do limite
Daniel Menezes Daniel Menezes

POR PAINEL - FOLHA

Casa de ferreiro Michel Temer sinalizou à bancada do PMDB que considera ter ido além do limite sua pressão pelas nomeações do ministro da Justiça e do líder do governo na Câmara. O Planalto avalia que os dois cargos, assim como a chefia de algumas comissões, precisam ser definidos em conjunto para permitir compensações. Ao entrar em guerra pública pela Justiça sem indicativo de que será atendida, analisa o governo, a bancada coloca Temer em posição delicada e pode ampliar o racha na base.

Fala comigo Temer deve receber nesta terça (21) os deputados da base que participam da comissão que discute a reforma da Previdência. O grupo é considerado a “tropa de choque” do Planalto.

Vai esticar Fora dela, governistas já dão de barato que o Executivo terá de ceder em penduricalhos e liberar, por exemplo, extras para quem exerce atividade de risco.

Eu pulo Figurão do PT no Senado e membro da CCJ, Jorge Viana foi a Israel e não sabatinará Alexandre de Moraes. O também petista Humberto Costa abdicou da suplência na comissão para viajar.

Na janelinha A comitiva formada por Viana, Kátia Abreu, Ricardo Ferraço e Ana Amélia foi a Israel sem ônus para a Casa. Já a ida de Costa custará R$ 18 mil. Ele diz que não viaja a convite.

Pra cima Randolfe Rodrigues pretende pedir de cara o adiamento da sabatina alegando que Moraes omitiu que sua mulher advoga no STF. Já Ronaldo Caiado, que tem feito oposição informal a Temer, preparou um roteiro puxado e avisou que “não vai alisar”.

Copia e cola Após a notícia de que um livro publicado por Moraes tem trechos idênticos aos de uma obra espanhola, a USP enviou e-mail orientando professores a usar uma plataforma de verificação de semelhança de artigos.

Olho no lance A mensagem diz: “É importante salientar que o programa identifica automaticamente similaridades no texto, cabe ao professor definir se este fato se traduz ou não em plágio”.

Vida que segue O Supremo pode voltar a decidir, em março, se governadores podem ser processados pelo STJ sem aval das Assembleias. Luís Roberto Barroso já se manifestou no sentido de que não é válida a exigência de licença prévia dos Legislativos.

Suadeira A aprovação da privatização da Cedae (companhia de água e esgoto do Rio) deu um respiro ao governador Luiz Fernando Pezão. Ele disse a interlocutores que agora vai voltar ao ministro do STF Luiz Fux para tentar antecipar a ajuda da União.

Na praia Naufragou a candidatura de Carlos César (PSB) à presidência da Assembleia de São Paulo. Ele teria apoio do “bloquinho”, formado por PSB, PV, PPS, PR, PSC, PTN, PSL, PP e PEN — e a simpatia de petistas contrários à aliança com o PSDB.

Tudo certo Nas negociações com os tucanos, o grupo deve ficar com um cargo na Mesa Diretora da Casa e, assim, juntar-se a Cauê Macris.

Made in… Depois do road show pela Europa e pelos EUA para encontros com investidores, auxiliares do governador Geraldo Alckmin preparam viagem para a China.

Vem com a gente O governo de SP apresentará aos chineses como “oportunidades de negócios” as rodovias, o metrô, os projetos de habitação e os aeroportos que serão leiloados ainda neste ano.

Nas nuvens João Doria voltou dos Emirados Árabes com jornais do Golfo Pérsico debaixo do braço. A imprensa local tratou a maratona do prefeito de SP na região como “um passo importante para o estreitamento das relações comerciais entre os países”.

Não, obrigado Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares, foi sondado para disputar o comando do PT paulistano. Recusou.


TIROTEIO

Não houve obstrução de Justiça. A nomeação de Lula para a Casa Civil apenas mudaria o foro. Quer dizer que no STF se faz a antijustiça?

DE ALBERTO TORON, advogado de Dilma Rousseff, sobre a Polícia Federal ter dito que a ex-presidente, ao lado de Lula e Mercadante, tentou obstruir a Lava Jato.


CONTRAPONTO

Data vênia

Na véspera da sabatina de Alexandre de Moraes no Senado, que acontece nesta terça-feira (21), o centro acadêmico da Faculdade de Direito da USP organizou um ato contra a sua indicação para o Supremo Tribunal Federal.

Organizadores lamentavam que apenas cerca de cem pessoas compareceram ao evento — realizado durante as férias da universidade e em clima de Carnaval.

— Até nisso ele dá sorte — afirmou um deles.

Ao microfone, o professor Sérgio Shecaira disse que Moraes não preenchia requisitos básicos. Entre eles, o da reputação ilibada e do notório saber jurídico. E ironizou:

— O conhecimento jurídico não é dele, é de terceiros…


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