O bolsonarismo não trabalha com verdade X mentira, mas com afirmação de seu mundo X tudo que o ameaça

Estou lendo o livro do Federico Finchelstein , professor de História na New School for Social Research e na Eugene Lang College, em Nova York. Especialista em movimentos populistas e fascistas, ele nos ensina, inclusive citando o próprio, que o bolsonarismo não trata o mundo a partir da dicotomia verdade X mentira. A ideia é tratar como verdade tudo aquilo que afirma os valores do movimento e abordar como falso tudo que o ameaça.

Por isso, é, pelo viés do militante de extrema direita, inútil estabelecer a análise pelo pressuposto do verdadeiro X falso, quando a base de raciocínio radical – no sentido extremista – é entre o aqui afirma o Mito versus o que deve ser extirpado do mundo. O presidente Jair Bolsonaro sabe bem como blindar e cultivar tal lógica, ao incentivar narrativas sabidamente estranhas aos fatos e que adquirem ar de tragicomédia para não iniciados. Coisas do tipo: o sucesso do enfrentamento da pandemia de covid-19, o anúncio do combate às queimadas no Brasil, etc, visam manter intacto o sistema cognitivo dos radicais.

Leitura importante para os nossos tempos.

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