O gozo mórbido de quem tripudia da prisão de Henrique

O gozo mórbido de quem tripudia da prisão de Henrique

Henrique Alves, um dos homens mais influentes do Rio Grande do Norte, segue preso após mais de quatro meses. É caso para a justiça atuar e decidir. Não entraremos nessa seara. Só estarrece ler cotidianamente comemorações, linchamentos e brincadeiras de péssimo gosto vindos de quem não perde a oportunidade de tirar uma casquinha do inferno astral que o ex-deputado vive. Piadas com sua mulher e familiares abundam todos os dias no facebook e no twitter de ex-aliados antes bem chegados do poderoso pemedebista, de ditos defensores de direitos humanos e críticos de programas apelativos como papinha.

Estamos indo pelo caminho errado, não apenas na Lava Jato, mas em todo esse processo de suposta limpeza do país. Ao invés de lutarmos por direitos iguais para todos – isto significa amplas garantias e acesso às liberdades individuais, me permitam o etnocentrismo, como ocorre em países em que o direito moderno manda -, estamos nos regozijando com a “democratização” das arbitrariedades da justiça, antes apenas conhecidas pelos pobres. Não há aí base para uma sociedade melhor. Apenas para a explosão de ressentimentos geradores de novos conflitos e retrocessos.

Há um dado jornalístico. Fato. E ele merece toda a cobertura. É inegável. Só que isto nada tem a ver com brincar com a situação de depressão do acusado, a ausência de estrutura física do enclausuramento e o aperreio de seus familiares. O sintoma do que é mencionado foi a maneira com que noticiaram que sua esposa procurou uma comprovação de doença para o seu marido. Ela foi alcançada por interceptações telefônicas, pedindo um atestado a um médico. Segundo os investigadores, para obstruir à justiça. Ora, nem foram saber se, de fato, Henrique Alves sofre de tal patologia, uma bursite crônica. Correram para condená-la. Ninguém, ao que parece, se deu o benefício da dúvida: quem, naquela situação, não faria o mesmo por um ente querido?

O que penso do político Henrique Alves não está aqui em questão. Só reafirmo o que já disse lá atrás em minhas redes sociais e no O Potiguar: não haverá espaço para os tripudios que tão bem caracterizam àqueles que compõem a jet society natalense, um grupo com dificuldade de olhar para o seu passado e presente e se enxergar no espelho.

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