O medo de ser enquadrado como petista nos aproxima do macartismo

Há pessoas com críticas bem fundamentadas contra o governo Bolsonaro. Algumas petistas, outras não. Mas pouco importa. No tribunal das redes sociais, o medo de ser tomado como petista é generalizado. Daí a estratégia, sempre defensiva, de questionar a atual gestão também batendo em Lula ou Dilma. É uma forma de dizer: olha, estou falando mas não sou petista.

Até o presente momento a militância bolsonarista tem obtido sucesso em tal estratégia de combate discursivo, pois cria um clima que interdita o debate. A gestão do capitão já demonstrou que gosta de tal ambiência.

E mais. Produz avaliações e comparações falsas já presentes no pleito eleitoral. Por exemplo, é fato que petistas passaram da conta em suas críticas contra a jornalista Miriam Leitão. Porém, nunca ninguém da esquerda naturalizou ou fez apologia à tortura sofrida pela profissional nos tempos da ditadura.

Esse macartismo, prenhe de equivalências fake, vai passar na medida em que o retrovisor torne mais distante a visão do passado. É torcer para que esse dia chegue logo. A arena pública de discussão encontra-se intoxicada.

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