O pavor de Lula

Ao menos em um aspecto a esquerda deixou seus opositores expostos e em situação difícil. Impressiona o medo com que os oponentes de Lula lidam com sua figura. Isto ficou ainda mais claro nos últimos dias.

Com o judiciário já maculado pelo tempo recorde com que o processo do ex-presidente caminhou até sua prisão – algo que não se repetiu em outros casos notórios, ao contrário do que alegam os antipetistas -, a incursão politizada de juízes e jornalistas diz muito sobre o frio na espinha que uma simples fala do petista deixa transparecer. Mesmo na cadeia o líder máximo da esquerda hoje lidera todas as pesquisas realizadas no país.

Não apenas isso. Também da truculência com que qualquer vitória judicial em favor de Lula, mesmo que tímida, é tratada. A tática, por exemplo, de utilizar juízes de plantão portadores de opiniões contrárias àquelas predominantes em processos não é novidade nem para a defesa de acusados, nem muito menos para membros do ministério público. Inúmeras situações semelhantes foram veiculadas pela imprensa nacional. O MPF esperou o então ministro Joaquim Barbosa, no chamado caso do “mensalão”, entrar em situação de responder pelo plantão da casa em determinados momentos para impetrar pedidos. Pode-se questionar e até clamar pela sua alteração, mas não negar que é uma regra legítima do jogo.

É preciso entender muito bem isso para não achar que o juiz que mandou soltar recentemente Lula sem sucesso, diga-se de passagem, está sendo vítima de perseguição. Não é a cabeça do Favreto que querem. Ele é apenas o instrumento para uma intimidação capilarizada; um aviso para quem ousar criar qualquer canal de voz para o barbudo preso na polícia federal do Paraná.

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