O que ganha Bolsonaro com o método de fritura pública dos exonerados?

O presidente do BNDES Joaquim Levy foi humilhado publicamente. Em entrevista, Jair Bolsonaro disse que estava até o pescoço com ele. Já neste domingo, Joaquim Levy entregou sua carta de exoneração.

A desculpa de que Levy chamou um técnico para uma diretoria do banco, que já trabalhou para o PT, não tem lógica. O próprio envolvido já foi ministro de Dilma. Um diretor do BNDES também passa pela chancela de Paulo Guedes, chefe da economia. Foi ensaio para a torcida. Os motivos foram outros, certamente.

O fato é que o modus operandi é o mesmo. Bolsonaro frita alguém que ele deseja demitir às claras, depois as redes sociais bolsonaristas continuam o trabalho e, por fim, a saída é consumada.

No que a fabricação de crises permanentes ajuda Bolsonaro? Ora, essa expressão de virilidade produz uma radicalização bem vista aos olhos de sua base e transmite a ideia dele não ser um “político tradicional”. É como se o principal representante do sistema não fizesse parte dele.

A qualquer crítica advinda da imprensa, da oposição ou de setores com um pouco de moderação sobre o cenário de alerta frequente o debate provocado serve também para manter a polarização em alta. Jornais são atacados por estarem contra o governo. A crítica da oposição é utilizada como endosso da alopração rasgada.

A este modesto blogueiro parece que o método continuará. Ou melhor, irá ganhar em musculatura. Não há nenhuma indicação contrária.

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