O tripé de ação bolsonarista: pesquisas, narrativa e discurso oficial

Há quem confunda – e não são poucos – distanciamento ideológico de suas convicções com burrice. O governo Jair Bolsonaro não é alicerçado em falta de inteligência, mas em extremismo. São pontos distintos.

Vira e mexe ele aparece com temas inusitados: indústria da multa, combustíveis elevados e agora pedágio. Parece algo deslocado, mas não é.

É possível notar um tripé em ação: 1. o uso potente de pesquisas, 2. disseminação de narrativas falsas, 3. encaixe com o discurso oficial.

Há forte captura de assuntos aparentemente secundários mas que tocam o coração da base bolsonarista. É histórica, por exemplo, a ideia de que há indústria da multa, que os postos fazem cartel e que, quem já morou no sul-sudeste sabe, pedágios engordam ainda mais os ricos.

A abordagem bolsonarista é sempre gerada a partir do enfoque antissistema. Apesar de presidente, é como se ele lutasse contra políticos corruptos (governadores, deputados ou senadores), judiciário não isento (STF) ou corporações gananciosas (empresas controladora de concessões de rodovias).

A imprensa e, digamos assim, os especialistas ainda não aprenderam a lidar com tal estratégia. Suas respostas não são erradas. Eles respondem a partir dos conhecimentos peritos disponíveis. Porém, essa perspectiva é facilmente enquadrada como a “fala do sistema”. E com respostas simples e geradora de verossimilhança, Bolsonaro se comunica com a população ao mesmo tempo em que aduba o anti-intelectualismo, deslegitimando imprensa, instituições que sustentam conhecimentos acumulados e seus profissionais.

Deixe uma resposta