Os presentes recebidos por Lula

Os presentes recebidos por Lula

Empresários dão presentes para a devida obtenção de trânsito em governos. Procuram, além disso, premiar os que são bons para eles. Não se trata de algo legal, mas, sem dúvida alguma, é um problema histórico que não começou na semana passada. Com o poder das redes sociais e o fortalecimento das instituições de controle, o problema está vindo à tona.

Agora, soa estapafúrdio querer vincular um presente a obtenção direta em um contrato. Simplesmente, acho difícil funcionar assim: olha, estou lhe dando um relógio ou fazendo uma reforma na sua casa por conta daquele contrato. Não há esse nível de vinculação entre autoridades e empresários, a não ser em casos em que alguém, já cometendo outra modalidade de crime, pede vantagem ilícita direta – propina – em troca de facilitações. Mas ainda assim nesses casos, como estamos percebendo, há operadores indiretos. As autoridades se protegem.

Penso que os processos em que Lula se meteu têm a ver com este problema histórico – a aceitação de presentes de empresários. A fala de Emílio Odebrecht em depoimento é significativa: “no governo FHC não ocorriam obras…” O apartamento, a reforma no sítio têm a ver com isso, acredito. É a opinião de quem goza do direito a um voto.

A questão é que não consigo ver de que modo esses presentes foram recebidos como troca de vantagens ilícitas diretas em contratos específicos. Este segue, para mim, sendo o ponto escuro da história, o salto (i)lógico dado a partir da fala de delatores.

Duvido muito também que, nesse nível, outras autoridades passem incólumes pelo mesmo crivo e aguentem uma investigação no nível em que Lula vem enfrentando.

Não se trata de generalização. Mas de pensar com realismo e sem fulanizações. Um problema histórico não se resolve com ações isoladas, olhar seletivo e forçações de barra. Quando vejo o dedo apontado para alguns e não para outros, fico com a impressão de que há caça às bruxas e não a tentativa de mudar práticas deletérias.

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