Perguntas incômodas são necessárias

Não pode existir ponto em branco para quem quer ser presidente da república. Com a expectativa de controlar o futuro de milhões de pessoas, sua vida tem de ser devassada. Quem se habilita ao posto sabe que será assim. Não adianta reclamar. É um percurso inevitável.

Nesse sentido, a curiosidade sobre papel desempenhado por Guilherme Boulos, então pré-candidato pelo PSOL, no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) é legítima. Do que vive, como é remunerado, de que modo chegou ao posto que ocupa no referido movimento social?

Apesar da ação reativa de quem se considera do mesmo “campo” do Boulos ou com ele simpatiza, a de rechaçar qualquer indagação contra ele, o eleitor tem sim o direito de saber, não importa sua motivação.

Tais questões ganham relevo em face do que aconteceu em São Paulo. Após o desabamento do prédio ocupado por pessoas sem teto, tomamos conhecimento que as vítimas pagavam um “aluguel” a um grupo que também dizia lutar por moradia. É algo grave, pois alguém estava ganhando de modo criminoso com o desespero alheio.

É preciso que se diga. Não era o movimento social liderado pelo Boulos. Só que a confusão criada, com intuito de jogar todo mundo no mesmo baralho, ganhou força com a retórica da esquerda no sentido de impedir indagações incômodas sobre o funcionamento dos movimentos sociais. A esquerda tentou resumir tudo ao inegável problema da falta de moradia no Brasil. É uma situação grave, mas nem por isso esgota a necessidade de conhecer o que estava ocorrendo ali especificamente naquele prédio que desabou.

Quem diz ter pauta progressista não pode ter medo de lançar luz sobre o ocorrido, mesmo que traga embaraço ao dito movimento social. Se isto não acontecer, todos acabarão na mesma vala comum.

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