Por que a esquerda não comemora a aprovação do “juiz de garantias”?

O “juiz de garantias” foi aprovado pelo congresso. Pelo que li, é um avanço defendido no mundo das democracias liberais constitucionais. Teremos agora um juiz da investigação e outro para o julgamento, um modo de não deixar que o magistrado que conduz o inquérito se contamine pelas teses da acusação.

A crítica da Associação dos Magistrados do Brasil e do Ministério Público procede: os 30 dias previstos para a implementação representam tempo exíguo.

Porém, não há fundamento em afirmar que haverá ineficiência e impunidade. Apenas o reforço da linha já existente numa constituição liberal.

Há uma clara reação do MP, que perderá poder já que hoje tem uma balança desequilibrada em seu favor. O trabalho dos juízes será compartilhado e isso também produz perda de poder. Ninguém gosta de passar pelo crivo de terceiros.

Mas por que a esquerda hoje comandada pelo PT não comemora a aprovação do juiz de garantias, um pleito inclusive do próprio Lula em seu processo?

Porque isto daria razão ao estilo de atuação parlamentar de Tábata Amaral e de Freixo no pacote anticrime. Eles ingressaram em temas indigestos e votaram em projetos, procurando minimizar perdas e hipertrofiar ganhos. Não é o jeito de fazer oposição do petismo. Eles centram fogo na atuação de Tábata Amaral e de Marcelo Freixo.

Enfim, trata-se de uma competição para que não surjam novas lideranças não alinhadas ao PT em âmbito nacional.

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