Por que Bolsonaro insiste em dizer que o filho já fritou hambúrguer?

POR QUE BOLSONARO INSISTE EM DIZER QUE O FILHO JÁ FRITOU HAMBURGUER?

É fundamental ter como pressuposto que um governo é municiado por pesquisas de opinião (principalmente quando as agências de publicidade fazem seu trabalho).

Bolsonaro continua endossando o nome do filho para a embaixada americana e segue, agora ele, repetindo a tese de que até hamburguer o deputado já fritou.

Por que o presidente insiste em ressaltar tal aspecto, já que a imprensa faz chacota da experiência?

Andei ouvindo pessoas de fora da política e do jornalismo e imaginei uma hipótese. A insistência tem relação com a busca por atingir em cheio o coração do brasileiro médio, provavelmente por testes em Qualis e análise de conteúdo em redes sociais.

Qual é a mensagem? O filho do presidente, além de falar inglês e ter sido o mais votado de São Paulo, é uma pessoa humilde e que tem experiência de vida. É um “batalhador”. Ou seja, estaríamos diante de um líder que não poupa seu filho do trabalho pesado, daquilo que não para pouca gente forma o caráter. Há um claro direcionamento moral que não é levado em conta pela ideologia escolástica cara entre intelectuais, militantes e jornalistas.

Suspeito que quem ataca o fato acaba mais ajudando o bolsonarismo do que o contrário.

Repito, é uma mera hipótese. Mas Bolsonaro tem apelado, de forma conservadora, a um resgate da ética para o trabalho (lembre-se da polêmica a respeito do trabalho infantil) contra as agruras do mundo. O conteúdo do fritador de hamburguer vai em caminho semelhante.

E o que é sintomático. Ao invés de recuar, o que demonstraria embaraço e reconhecimento de que a fala pegou mal entre os seus, ele mantém estrategicamente o discurso. Não penso que seja gratuito.

Estamos diante de um governo que demanda fortemente da gente aquilo que um sociólogo já chamou de imaginação sociológica. É uma maneira interessante de procurar raciocinar fora da bolha.

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