Por que ninguém pergunta sobre as contas da prefeitura do Natal?

O jornal Valor Econômico traz matéria hoje sobre dívidas de Natal não honradas com o governo federal nos anos de 2016 e 2017. O valor não é pequeno. O calote foi de 29 milhões de reais.

Nao é de hoje que a prefeitura apresenta sinais de esgotamento fiscal: há atrasos no pagamento de salários, fornecedores e terceirizados. Sindicalistas também reclamam de atraso no repasse da contribuição por parte do poder público municipal. A previdência local tem rombo anual de 150 milhões de reais, conforme este blog publicou a partir de informações obtidas.

A situação é, no mínimo, inusitada. Enquanto todas as lupas se voltam para o governo estadual, que anuncia um duro ajuste fiscal, a prefeitura passa completamente em branco. Seu prefeito, Carlos Eduardo Alves, produz agenda de candidato ao governo do RN e não é cobrado por Natal. Fala em seu programa partidário em resolver problemas do RN, como se não estivesse abarrotado de situações negativas em sua seara. 

Preocupados em turbinar candidaturas para a Assembleia, alguns vereadores também deixam de fazer o dever de casa na câmara municipal do Natal e passaram a agir como se fossem fiscalizadores diretos do Estado. A casa até fez uma audiência sobre nossa crise na segurança. Ok. É legítimo. A segurança afeta todos nós. Mas quando haverá algo para tratar do revés orçamentário do executivo municipal?

Carlos Eduardo Alves parece contar com um estranho silêncio alheio, com algumas poucas exceções. Com isso, uma escuridão não é iluminada em torno da prefeitura e medidas fiscais são adiadas. Isto não será nada bom. O futuro da cidade pode ficar comprometido.

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